Luís Montenegro estava na residência oficial, em São Bento, quando a luz falhou, às 11h33. Meia hora depois, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, fazia a primeira comunicação oficial, já tentando desvalorizar a possibilidade colocada, minutos antes, pelo ministro Castro Almeida de que o apagão tivesse sido provocado por um ciberataque. A ordem de Montenegro era para que todos os ministros se reunissem em São Bento, onde foi montado um gabinete de crise. “Estamos a trabalhar, juntos, para responder atempadamente à falha elétrica que ainda está a afetar o País”, escreveu Montenegro num post partilhado no Instagram, ilustrado com imagens da sala onde os ministros iam tentando comunicar com as áreas da sua tutela. Foi a única comunicação que o primeiro-ministro fez nas suas redes sociais durante as horas do apagão. Nem o Instagram nem a rede social X foram usados para dar informações ou instruções à população.
Com o responsável pela coordenação da comunicação no Governo, Pedro Esteves, totalmente dedicado à campanha eleitoral (é o diretor de campanha da AD), a fragilidade na comunicação ficou evidente. Várias horas sem informações atualizadas, redes sociais oficiais para comunicar que o Governo estava a trabalhar, mas sem orientações específicas e até um atropelo entre Leitão Amaro e Castro Almeida que Montenegro trataria de desvalorizar no dia seguinte.

