O ruído da polémica fica à porta do gabinete do presidente da Assembleia da República. Sentado à secretária, José Pedro Aguiar-Branco entrega-se a desmontar, carregar, voltar a montar e limpar uma das mais de 300 canetas que compõem a sua coleção, uma “paixão” que cultiva há décadas. Durante aproximadamente meia hora, será só ele e aquela Montblanc. Aguiar-Branco apenas dará por concluída a tarefa, que descreve aos mais próximos como “muito relaxante”, quando o objeto voltar a ser capaz de desenhar uma linha de tinta elegante, firme e nítida, numa folha branca de papel. No dia a dia, talvez a analogia escape ao próprio presidente da Assembleia da República, mas quem acompanha de perto o seu percurso, pessoal, profissional e político, reconhece-lhe como “principais características” a mesma preparação, rigor e persistência, antes de enfrentar qualquer dossier ou deliberação.

“Aguiar-Branco não toma decisões ao acaso. Tudo o que diz ou faz não surge de um impulso momentâneo, mas de décadas de conhecimentos, reflexões e experiência de vida. É um homem com um forte sentido de causa pública e prepara-se para todos os momentos. Gosta de ouvir quem o rodeia, documenta-se, reflete profundamente. E quando se convence do que é melhor para o País, então faz o que acha que tem de ser feito. Muito dificilmente volta atrás, mesmo que seja alvo de críticas. É praticamente impossível arrepender-se”, diz à VISÃO uma fonte próxima.
