Com um ar compungido, que não lhe é muito habitual, e uma entoação por vezes monocórdica, Pedro Nuno Santos garantiu, este sábado, no rescaldo da luta interna que o opôs a José Luís Carneiro e da qual saiu vencedor, que quer pegar na herança de oito anos de António Costa e dar-lhe uma dinâmica “estável” que acelere o País no rumo certo – ou, como fez questão de sublinhar, que “não arraste os pés”.
O novo secretário-geral do PS, eleito com 62% dos votos, comprometeu-se com a unidade no partido, sem revelar qual “espaço” que Carneiro pode vir a ocupar numa futura equipa governativa. Deixou no ar que, até às legislativas, vai apostar no fantasma do cortes das pensões dos mais velhos, a quem prometeu “carinho e amor”, para atacar a direita. E, já mais solto, depois de 20 minutos de um discurso mais institucional, onde assumiu o compromisso de continuidade de diversas políticas, não descartou a reabilitação da Gerigonça, se precisar dela após sair vencedor das eleições a 10 de março.
“Não queremos um país a arrastar os pés; queremos um país que decida”, disse Pedro Nuno, que durante a campanha defendeu-se das acusações de enfant terrible, do tempo em que esteve no Governo, e se afirmou como alguém determinado e firme. Assegurando que vai agarrar no testemunho de Costa – onde se incluem “as contas públicas certas” e a “redução da dívida pública” -, o ex-ministro das Infraestruturas admitiu que há setores em que “ainda não está tudo bem”.
“A estabilidade que caracteriza a liderança do PS é também a estabilidade que queremos dar ao País e que trabalhámos sempre para dar ao País”, salientou, mostrando-se “orgulhoso” da herança que recebe de Costa – a quem elogiou inúmeras vezes e de quem disse que irá a “experiência e a sagacidade” – e referindo-se a Carneiro e Daniel Adrião como tendo sido “circunstancialmente” opositores internos, para quem arranjará “o espaço” que merecem dentro do PS.
Três semanas depois de o líder do PSD ter acenado com um aumento do Complemento Solidário para Idosos, se vier a ser Governo, Pedro Nuno Santos avisou que os social-democratas, da última vez que geriram o País, “em nome da dívida pública cortaram salários e pensões”. Já a estratégia do PS, contrapôs, deu resultados: “funcionou, produziu resultados e conseguimos reduzir a dívida pública porque a riqueza nacional aumentou”.
Por fim, numa altura em que já respondia às perguntas dos jornalistas de forma mais informal, não se comprometeu com uma nova Gerigonça mas também não descartou a possibilidade de a reabilitar, defendendo que os portugueses têm a memória de que nesse período a gestão do País “funcionou mesmo bem, foi estável”.