João Cotrim de Figueiredo entrou no palco do auditório do Centro de Congressos de Lisboa ao som de “I Want to Break Free”, dos Queen, com a confiança reforçada. Reeleito com 94% dos votos por mais dois anos como líder da Iniciativa Liberal (IL), na VI Convenção Nacional, que decorreu neste fim de semana, voltou a apelar ao voto útil nas próximas eleições legislativas e a declarar-se como a melhor alternativa ao Governo socialista “desgastado” e “sem estratégia”. “Só a IL pode perpetuar esta mudança”, considerou, acenando com uma “visão clara e coerente para o país”.
Uma justiça mais célere, saúde sem listas de espera, uma aposta nas políticas ambientais e famílias “sem dependência do Estado, à espera de uma esmola de dinheiro que é seu” foram as principais promessas de Cotrim de Figueiredo, num discurso em que o principal alvo foi o PS, representado entre os convidados, pelo presidente da concelhia socialista de Lisboa, Sérgio Cintra.

“Um Governo sem estratégia”, toldado por uma “cegueira ideológica”, entre outras críticas, foram as palavras que o líder dos liberais dedicou aos socialistas, tendo ainda aproveitado para relembrar a figura do antigo primeiro-ministro do PS José Sócrates e até sugerir que o PS tinha um governo tão grande nesta legislatura para albergar elementos próximos de Sócrates. Personalizou, depois, a oposição ao PS em alguns ministros (Francisca Van Dunem, da Justiça; João Gomes Cravinho, da Defesa; Tiago Brandão Rodrigues, da Educação) e no ex-ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, “que se demitiu apenas para não prejudicar o PS” e não por causa de nenhuma das polémicas em que esteve envolvido, desde as golas inflamáveis, ao cidadão ucraniano morto nas instalações do SEF, aos festejos do campeonato nacional de futebol até ao atropelamento na A6 de um cidadão pelo carro onde Cabrita seguia.
António Costa também não saiu incólume: o primeiro-ministro é “famoso por se agarrar ao poder”, segundo Cotrim de Figueiredo. Tal como a geringonça “incapaz de ter uma ideia construtiva para o pais”, muito por causa das “más companhias do PCP e do BE”, que, para o liberal, só conseguem governar produzindo “ditaduras, miséria e superação das liberdades das pessoas”.
A VI Convenção Nacional da Iniciativa Liberal aprovou a estratégia do partido para os próximos dois anos e a nova Comissão Executiva (muito semelhante à anterior) com 688 votos (94%). Houve 22 abstenções e 21 votos contra a direção de Cotrim de Figueiredo.