A candidata do PSD à Câmara Municipal da Amadora, Suzana Garcia, promete ser um dos focos mediáticos das eleições autárquicas deste ano. De polémica em polémica, a advogada e ex-comentadora da TVI – que chegou a ser sondada pelo Chega e a defender publicamente propostas como a castração química para crimes de natureza sexual contra menores – até dentro do partido encontrou resistências. Jorge Humberto, um dos dois vice-presidentes da Concelhia da Amadora do PSD, apresentou a sua demissão por acreditar que não “era por aqui que o partido deveria enveredar”, diz à VISÃO.
O social democrata, apoiante de Rui Rio, refere as suas “responsabilidades sociais” para justificar a decisão; sublinhando que, nascido em Angola e habitante da Cova da Moura, tem-se dedicado a defender as “comunidades retornadas, refugiadas e imigrantes”. Objetivos que crê não serem partilhados por Suzana Garcia. “O meu olhar e a minha forma de estar não me permitem corresponder em apoio a esta candidatura. Tenho valores éticos enraizados”, continua.
Na carta de demissão dirigida ao líder do partido, Rui Rio, ao vice-presidente Salvador Malheiro e ao coordenador autárquico, José Silvano, com a data de 18 de abril, a que a VISÃO teve acesso, Jorge Humberto aponta que o PSD não deveria ir atrás “do discurso populista e na simplicidade da linguagem acicatar ódios e sectarismos sociais como forma de posicionamento e conquista eleitoral/política”. Diz ainda renunciar ao seu lugar de vice-presidente do PSD Amadora por “considerar que a referida estratégia política e a consequente candidatura com base no conteúdo discursivo ferem os meus princípios éticos e valores sociais, culturais e humanistas”, alegando, no final, que só soube que Suzana Garcia seria a candidata do PSD duas horas antes do anuncio oficial.
Contactado pela VISÃO, o presidente desta Concelhia, o deputado Carlos Santos Silva, indica que “do ponto de vista regulamentar tudo foi cumprido” e que Jorge Humberto “teve oportunidade de dizer o que pensava e não o fez”. O parlamentar estranha o momento escolhido para a demissão e acusa o ex-vice de se assemelhar “a um parasita para ter algum momento mediático”, quando Suzana Garcia “se tem provado uma espécie de ponto quente da campanha autárquica 2021, atraindo todas as atenções”.
A candidatura de Suzana Garcia à Amadora, apoiada também pelo CDS, foi anunciada no início de abril e, desde então, tem dado que falar. Ainda na semana passada, o deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo pediu a Rui Rio para repensar o nome para a Amadora, depois de Suzana Garcia ter dito esperar “que o Bloco de Esquerda seja exterminado”, tal como o Chega, numa entrevista ao apresentador Manuel Luís Goucha.