Nem laranja, nem azul. Tão pouco amarelo. As cores do grande jantar que levou Pedro Passos Coelho e Paulo Portas a Guimarães, a 16 de maio, para selarem a promessa de uma coligação pré-eleitoral tiveram de ser politicamente neutras. Branco para os guardanapos; branco, preto ou cinzento para as toalhas; branco para a singela geribéria que animou o centro das mesas VIP e verde e vermelho – as cores de Portugal “no caminho certo”, como dizia o slogan do evento – para as bandeiras. Laranja, só o sumo e a pedido. A onda branca era preponderante. “Não me chateou nada. É a cor do Vitória [de Guimarães]”, ironiza um dos organizadores, em conversa com a VISÃO, sobre os bastidores do repasto.
A primeira vez que os líderes do PSD e do CDS/PP surgiram juntos depois de 25 de abril, data em que foi anunciada a aliança, e depois do lançamento da biografia autorizada de Passos Coelho foi uma espécie do boda, com todos os ingredientes desse tipo de festa. Um belo exemplo de o que pode vir a ser a coligação.
A mesa dos dois líderes ficou conhecida, com graça, por “mesa dos noivos” e, tal como num copo d’água, não foi fácil decidir quem se havia de sentar ao lado de Passos e Portas.
Primeiro, eram 18 os lugares para preencher. Além dos convidados principais, o PSD queria que houvesse lá cadeira para os presidentes das câmaras do distrito. Eram sete, mas como o CDS não governa nenhuma autarquia na região de Braga, eram todos do PSD. Foi vetado.
“Acabaram por ser as comissões políticas dos dois partidos a enviar-nos a lista das pessoas autorizadas a sentar-se na ‘mesa dos noivos’, com paridade total”, conta um dos organizadores à VISÃO. “Imagine quando recebemos as listas por e-mail, tudo oficial, tudo traçado a régua e esquadro. Cinco lugares para o PSD, cinco para o CDS. O que o Sá Carneiro havia de se rir a olhar para isto”.
A mesa ficou com dez pessoas, menos do que o inicialmente previsto, para evitar ingerências. Passos Coelho levou Jorge Moreira da Silva e Marco António Costa. Paulo Portas levou Nuno Melo e Telmo Correia. Nos outros quatro lugares sentaram-se os líderes das distritais de Braga dos dois partidos e os presidentes das concelhias de Guimarães.
Os secretários-gerais dos partidos, que se envolveram diretamente na logística, ficaram de fora.
Fugindo ao cherne
A questão da paridade replicou-se no resto das quase 1500 cadeiras. “O CDS queria 30% dos lugares, mas eles não têm 30% dos votos”, queixa-se um social-democrata. Os centristas ficaram com poucos mais de 250 lugares e trouxeram gente de outros pontos do País para a festa. Mas o jantar era nacional e, por isso, também os sociais-democratas vieram de várias zonas para ouvir os discursos dos dois líderes, considerados “fracos”.
A ementa, essa, não levantou problemas: sopa de ervilhas, bacalhau com natas (para fugir ao cherne) e bolo de chocolate com abacaxi. Cada um dos convivas pagou cinco euros. O custo real do jantar eram 13. Os partidos dividiram as contas e pagaram o restante.
O jantar num relance
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1. Guardanapos: Foram brancos, porque a cor que o restaurante habitualmente usa, o laranja, é a cor do PSD e a cor sugerida pelo CDS, amarelo, não foi aceite
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2. Flores: Para evitar conotações partidárias, o centro das mesas VIP fosse decorado com uma geribéria branca
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3. Mesa dos noivos: As comissões políticas aprovaram, e enviaram por e-mail, a lista dos que se sentaram na mesa principal
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4. Chegada: Os líderes chegaram ao evento juntos, mas foi Passos Coelho quem entrou primeiro na sala, cumprimentando os convivas
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5. Bandeiras: Só havia uma bandeira do PSD e outra do CDS no palco, por isso, os presentes agitaram bandeiras de Portugal nos momentos mais intensos
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6. Ementa: O menu do jantar incluiu bacalhau com natas, sopa de ervilhas e bolo de chocolate com abacaxi e foi das decisões mais consensuais