Durante anos, Donald Trump cultivou a imagem de um líder imprevisível, disposto a recorrer à força, mas relutante em arrastar os Estados Unidos da América para guerras longas e dispendiosas. Essa aparente contradição traduz a lógica da doutrina peace through strength, associada seminalmente à Presidência de Ronald Reagan, segundo a qual a demonstração de poder militar serve sobretudo para evitar conflitos de maior escala através da dissuasão.
Na segunda Administração Trump, esta doutrina ressurge associada a uma visão mais transacional da política externa norte-americana, privilegiando, além da coerção, a pressão económica e operações militares limitadas, em detrimento de intervenções prolongadas. Tal orientação tornou-se visível em várias ações circunscritas conduzidas recentemente por Washington. Contudo, com a operação Epic Fury, a escalada das tensões com o Irão voltou a expor a ambivalência da estratégia norte-americana entre demonstração de força e contenção.
