O uso de papel de parede é a escolha de muitas pessoas que desejam criar uma atmosfera especial ao seu lar e atribuir-lhe uma estética diferente. Uma tendência que tem momentos em que está mais em voga do que noutros, mas que nunca caiu completamente em desuso e que também não é propriamente recente.
Amelia Calver, gerente de pesquisa e desenvolvimento de licenciamento do Victoria and Albert Museum (V&A) de Londres, Reino Unido, explica à CNN que os primeiros humanos já se preocupavam em decorar as paredes das suas cavernas com desenhos. “Os padrões decoram, mas também podem transmitir significados diferentes, consoante as comunidades em que surgem. Falam de mudanças, de movimentos culturais, das nossas vidas”, acrescenta.
Os desenhos em paredes de cavernas deram origem a gravuras e até mesmo ao papel de parede. A técnica de produção desta forma de design tem mais de 2 mil anos e remonta à China, onde elementos naturais eram pintados em papel de arroz. No século XII, o uso de papel de parede chegou à Europa, ainda que os vestígios mais antigos encontrados datem já de 1509.
No final do século XVI, surgiram na França os primeiros ateliers de fabricantes de papel de parede. Os desenhos apresentavam motivos florais e formas geométricas, impressos com recurso a pigmentos naturais, que eram vendidos a um preço baixo para consumo popular. Contudo, o papel de parede acabou por se tornar um produto mais luxuoso em 1675 graças ao francês Jean-Michel Papillon, que criou os primeiros padrões repetidos destinados a uma linha contínua, um estilo mais próximo do que existe hoje em dia.
A revolução industrial no final do século XVIII alterou a produção de papel de parede e atribuiu-lhe o ingrediente que o viria a tornar perigoso para a saúde humana. A análise a 275 amostras de papel dessa época, guardados nos Arquivos Nacionais de Londres, comprovam o uso de arsénico, um elemento químico venenoso, na pintura, pois tinha a capacidade de tornar as cores mais fortes e vibrantes, algo que foi muito apreciado na altura.
“Para os fabricantes de tintas e corantes, o arsénico era uma mercadoria barata que aumentava o brilho e a durabilidade dos pigmentos, especialmente quando aplicado em papéis de parede. O público adorou as cores vivas dos novos papéis de parede e mesmo quando soube que os corantes continham arsénico, não consideravam os papéis de parede perigosos, desde que ninguém os lambesse”, explica Lucinda Hawksley, historiadora de arte. Contudo, o que ninguém sabia na altura é que, em condições húmidas, o arsénico liberta um gás perigoso que pode ser fatal.
No século XIX, a mecanização permitiu que o papel estivesse disponível a mais pessoas, devido ao seu preço mais baixo. As famílias com menos rendimentos, e casas mais húmidas e mal ventiladas, acabaram por sofrer os efeitos nefastos do arsénico, que provocava um envenenamento lento e mortal. No final do século, o uso deste químico já era proibido na Europa.