O corpo de Desmond Tutu, vencedor de um prémio Nobel da Paz e arcebispo sul-africano, que morreu no dia 26 de dezembro, aos 90 anos, foi reduzido a cinzas por via da aquamação, ou “hidrólise alcalina”, um processo de cremação que usa água em vez do fogo. O método ainda só é autorizado em alguns países, mas na África do Sul ocorre por não haver legislação vigente sobre a prática.
Os restos mortais do falecido são colocados num cilindro de metal pressurizado e aquecido até 150 graus, que é, depois, imerso numa mistura de água com substâncias alcalinas. Submetidos à pressão, os tecidos corporais acabam por se dissolver rapidamente. Passado umas horas, todas as componentes corporais ficam em estado líquido, restando os ossos, que são pulverizados e reduzidos a cinzas, colocados numa urna e por fim entregues aos familiares. “O processo resulta em aproximadamente mais 32% de restos cremados do que a cremação à base da chama e pode exigir uma urna maior”, esclarece a organização sem fins-lucrativos CANA (Associação de Cremação da América do Norte).
O processo decompõe as matérias orgânicas mais rapidamente em comparação à sepultura tradicional, usa menos energia do que a cremação e não emite quaisquer gases com efeito de estufa, explica, por seu lado, a Bio-Response Solutions, empresa norte-americana especializada no processo. A empresa diz, no seu site, que é poupada com este método, conhecido como a cremação sem chama, cerca de 90% de energia.
A aquamação pode também ser usada para descartar as carcaças dos animais nos matadouros, por ser considerada mais eficiente e higiénica.
A família do herói anti-apartheid reuniu-se no Domingo na Catedral de St. George, na Cidade do Cabo, para a despedida final. A seu pedido, as cinzas foram depositadas num columbário enterrado na catedral onde serviu como arcebispo durante 35 anos. Enquanto defensor de toda a vida do ambiente, Desmond Tutu expressou a vontade de uma cremação alternativa, mais verde. A fundação que leva o seu nome revelou também que “ele não queria ostentação ou gastos luxuosos”, apenas um funeral tão modesto quanto fora a sua vida, pedindo que o caixão fosse o mais barato possível e que um bouquet de cravos da família fossem as únicas flores na Catedral Anglicana.
Tutu era um confesso defensor do ambiente. Escreveu em 2007 um artigo com o título “Esta Complacência Fatal”, onde expôs as preocupantes evidências do impacto climático nos países do sul e nos países mais pobres, tendo previsto ainda as condições meteorológicas extremas que viriam a afetar a Europa e a América do Norte devido à emergência climática.