A jornalista espanhola Salud Hernández Mora, que trabalha na Colômbia há vários anos, desapareceu no passado sábado, dia 21 de maio, na região noroeste do país. Segundo informações de fontes militares, a jornalista estava naquela zona a realizar uma reportagem sobre a erradicação do cultivo da folha de coca.
Salud Hernández Mora é correspondente do jornal espanhol El Mundo na Colômbia e tem uma coluna dominical no jornal colombiano El Tiempo. Foi vista pela última vez em El Tarra, na região do Catatumbo, perto da fronteira com a Venezuela, a almoçar com a freira Amanda Bedoya da Igreja Nossa Senhora da Assunção em Tarra. “Estive a falar com a Salud de diversos temas. Entrevistou-me, falámos agradavelmente e ao meio-dia de sábado foi apanhar um autocarro com direção a Cúcuta”, disse a irmã ao El Mundo. Hernandéz Mora falhou o voo de Cúcuta para Bogotá, marcado às 18:00 horas de sábado.
Ao jornal colombiano El Tiempo, o alcaide de El Tarra, José Toro, disse que “um homem chegou ao sítio onde a jornalista estava a almoçar, cruzaram algumas palavras e ela saiu com rumo desconhecido”.
Esta é uma das zonas colombianas onde existem mais guerrilhas e organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas. “O Catatumbo é uma das regiões na Colômbia onde ainda se sente a presença da guerra, com tanques do Exército ao longo dos caminhos de terra, estações de polícia protegidas com sacos de areia e sinais da guerrilha, como pinturas em fachadas ou bandeiras, presentes nas povoações da zona”, conta o corresponde do BBC Mundo na Colômbia, Natalio Cosoy.
O ministro de Assuntos Exteriores e de Cooperação espanhol, Manuel García-Margallo, disse que, de acordo com a informação que as autoridades madrilenas têm, “tudo aponta que possa ser o Exército de Libertação Nacional (ELN),” a segunda maior guerrilha da Colômbia. No entanto, o grupo paramilitar ainda não emitiu nenhum comunicado reivindicando o sequestro, como costuma fazer em situações semelhantes. García-Margallo recordou que a jornalista tem dupla nacionalidade (espanhola e colombiana) e que, por isso, a proteção primária corresponde ao país latinoamericano.
Após tomar conhecimento do que acontecera, Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, ordenou à Polícia Nacional prioridade e dedicação em encontrar o paradeiro da jornalista de 59 anos. A Polícia Nacional e as Forças Militares pediram aos cidadãos para colaborarem com as autoridades e ligarem para os números de emergência caso tenham informações sobre a localização de Hernández Mora.
No passado domingo, o Ministério da Defesa da Colômbia anunciou que enviou reforços militares e polícia para a zona de Catatumbo para encontrar o paradeiro da correspondente espanhola.
O ELN, grupo guerrilheiro que supostamente sequestrou Hernández, conta com cerca de 2 mil combatentes e os seus líderes sobreviveram a ataques militares. Historicamente foi fundado por sacerdotes radicais com o objetivo de instaurar um sistema socialista na Colômbia.