No último mês, os bancos que estão a comercializar as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável não têm tido as mãos a medir com as novas subscrições. A procura, apanhou de surpresa a Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) que, a poucos dias do fim da primeira fase de subscrição, optou por aumentar o montante a aplicar de 350 milhões para 750 milhões e alargar o prazo de subscrição até 16 maio.
A razão de tamanho sucesso parece residir na taxa de juro variável bruta mínima de 2,2%. As novas Obrigações de Tesouro (OT) estão indexadas a uma taxa de juro nominal anual variável igual à Euribor a 6 meses, acrescida de 2,2 por cento. E, mesmo com a Euribor em valores negativos, a taxa base começa nos 2,2 por cento ou, 1,6% líquidos. Depois, vai variando, sendo que cada subscrição tem um período mínimo de permanência de cinco anos. Os juros são pagos semestralmente e a data de reembolso desta primeira emissão é de 19 de maio de 2021.
Interessante? Depende. Como em qualquer contrato, é importante olhar para as letras pequenas antes de tomar uma decisão. E aqui, surgem de imediato duas questões importantes a considerar. A primeira, prende-se com as comissões cobradas pelos bancos e instituições financeiras que podem, nalguns casos, anular os ganhos. Ao valor das comissões é preciso ainda descontar os 28% retidos em sede de IRS. A outra, diz respeito ao facto de o capital não ser garantido no caso de resgates antecipados. É que, em caso de venda antes de decorridos cinco anos, os títulos têm de ser vendidos em bolsa ao preço do mercado nesse momento.
Uma análise realizada pela Deco/ Proteste Investe conclui que, em grande parte dos bancos, paga-se mais em comissões e impostos do que se recebe em juros. E, apesar da subscrição mínima ser de mil euros, as novas OT só começam a ser rentáveis para aplicações acima dos 4 000 euros.