As doenças emergentes resultam de um mundo em transformação, em que as alterações climáticas, a mobilidade global e a crescente proximidade entre humanos, animais e ecossistemas criam condições para a emergência e disseminação de agentes infecciosos.
Num mundo cada vez mais globalizado, surgem vários fatores de risco que aumentam a transmissão de doenças emergentes. As alterações climáticas favorecem a expansão de mosquitos para regiões onde antes não sobreviviam. Ao mesmo tempo, a circulação massiva de pessoas entre países facilita a introdução de infeções em territórios onde não eram habituais.
A isto soma-se a destruição dos habitats naturais, que obriga muitas espécies de animais selvagens a aproximarem-se das zonas habitadas pelo ser humano, bem como a produção intensiva de animais, potenciando o aparecimento deste tipo de doenças. Este contacto, direto ou indireto (por exemplo através de secreções, fezes ou outros vestígios deixados no ambiente), aumenta as oportunidades de transmissão de agentes infecciosos entre animais e pessoas. Isto pode tornar-se particularmente grave, podendo até tomar proporções epidémicas ou pandémicas, se a transmissão envolver agentes microbianos de elevada transmissibilidade e com os quais o sistema imunitário do ser humano nunca contactou. Tal foi o caso dos vírus respiratórios que causaram as pandemias de 2009 e 2019.
Perante esta realidade, a vigilância ativa e o diagnóstico atempado tornam-se em peças centrais em saúde pública. Por exemplo quando falamos de infeções como dengue, chikungunya ou zika, as acções de vigilância dos vetores de transmissão e o diagnóstico atempado adquirem uma importância fundamental não só para a saúde individual, mas também para a comunidade. Permitem reconhecer rapidamente a doença, orientar a resposta clínica e reduzir o risco de complicações. E, além disso, contribuem para a tomada de decisão em termos de medidas ambientais de controlo dos vetores de transmissão para evitar que um caso isolado se transforme num surto.
Esta abordagem enquadra-se no conceito One Health (Uma Só Saúde), que reconhece a interdependência entre a saúde humana, a saúde animal e a saúde dos ecossistemas. A vigilância integrada e o diagnóstico atempado, articulando informação proveniente dos sectores da saúde humana, veterinária e ambiental, permitem detetar precocemente riscos partilhados e implementar medidas coordenadas antes que a transmissão se amplifique
O desafio das doenças emergentes não se resolve apenas com melhores tratamentos. Num mundo em mudança, a vigilância activa e o diagnóstico precoce continuam a ser uma das formas mais eficazes de proteger a saúde de todos, sendo relevantes para orientar a resposta, proteger contactos, evitar tratamentos desnecessários e apoiar decisões de saúde pública.
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