Um novo estudo, desenvolvido por investigadores do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, revelou que determinados fumos a que somos expostos diariamente ou, pelo menos, regularmente, podem ser prejudiciais à saúde de jovens com asma, mesmo que leve.
A justificação dos investigadores é que quando se cozinha, por exemplo, ou quando se acendem velas, são produzidas partículas ultrafinas e gases em forma de fumos que, depois, são inalados, o que pode provocar irritação e inflamação – daí a importância de aumentar a ventilação nestes momentos.
Para a realização da investigação, os participantes foram colocados, em condições altamente controladas, em diferentes câmaras climáticas, na Universidade de Aarhus, e expostos a três tipos de ambientes: um com emissões provenientes da culinária, outro com queima de velas e, finalmente, de ar puro.
Cada participante passou cinco horas em cada câmara e, durante as exposições, foram medidas as partículas e gases. Além da avaliação de sintomas de irritação das vias respiratórias e do bem-estar geral, antes, imediatamente após e nas manhãs seguintes às exposições foram avaliados pela equipa os biomarcadores relativos às alterações inflamatórias sistémicas e das vias aéreas.
“O nosso estudo mostra que a poluição do ar em ambientes fechados provocada pelo fumo de cozinhar e de queimar velas pode ter efeitos negativos na saúde, como irritação e inflamação em indivíduos jovens com asma leve”, revela Rosenkilde Laursen, co-autora da investigação, citada pela Science Daily, acrescentando que a equipa encontrou “indicações de danos no ADN e sinais de inflamação no sangue”.
Neste estudo, os investigadores focaram-se em 36 asmáticos não graves com idades entre os 18 e os 25 anos e descobriram que “mesmo indivíduos muito jovens com asma leve podem sentir desconforto e efeitos adversos se o ambiente não for adequadamente ventilado durante o ato de cozinhar ou ao acender velas”.
“Portanto”, afirma Laursen, “é preocupante” ter-se observado “um impacto significativo das partículas nesta faixa etária particularmente jovem”. Contudo, a investigadora alerta para a importância de qualquer pessoa estar atenta a esta situação, já que o estudo demonstrou resultados “interessantes e relevantes para todos nós”.
“O inverno está a aproximar-se, uma época em que tendemos a acender muitas velas e talvez tenhamos menos tendência a abrir portas e janelas enquanto cozinhamos. Se dermos prioridade a um clima interior mais saudável, mesmo quando estamos aconchegados dentro de casa, podemos ajudar a reduzir a incidência de doenças pulmonares e cardiovasculares graves, bem como de cancro”, remata Laursen.
A equipa pretende agora focar-se num estudo que avalie os efeitos dos fumos produzidos durante os momentos de cozinhar e quando se acendem velas em adultos saudáveis.