Não há, na NATO, uma voz que responda a Trump? Nem uma? Nem duas? Nem meia dúzia? Sem os Estados Unidos, a Aliança soma 31 Estados membros. Trinta e um. E assiste, em silêncio, à afronta. Ao insulto. À humilhação. Tudo vindo de um presidente americano instável. E ninguém grita?
O primeiro-ministro britânico tem-se portado como o saco de boxe de Trump. Quedo. Calado. Submisso. Como é possível? Trump não ficará para sempre. Faltam-lhe dois anos e meio. Apenas. Não é eterno. Embora gostasse de o ser.
Depois do Irão, diz ele, o grande inimigo da América são os democratas. Os democratas! Não a Rússia. Não a China. Os democratas! E logo numa altura, claro, em que tudo aponta para que possam conquistar o Congresso nas eleições de novembro. É este o grau de desvario. De descontrolo. De incontinência verbal.
Trump mente sobre os sucessos contra o Irão. Exagera. Fantasia. Vende a ideia de um regime destruído, neutralizado, incapaz de reagir. Mas Teerão desmente-o todos os dias. Com factos. Com alcance. Com mísseis lançados contra Diego Garcia — os mesmos que podem atingir quase todas as capitais europeias, com exceção de Lisboa e Madrid —, além dos países do Golfo, de Israel e de bases americanas.
E agora surge o ultimato. Simples. Brutal. Ou Teerão abre Ormuz, ou verá destruídas todas as suas centrais energéticas. É a política da ameaça em estado puro. Sem consulta. Sem coordenação. Sem prudência. Nem sequer com os Estados do Golfo, que serão os primeiros a sofrer o impacto da retaliação. Com mísseis. Com drones. Infraestruturas energéticas em risco. Campos petrolíferos vulneráveis.
Trump entrou na quarta semana de guerra. E percebe-se uma coisa: não sabe como sair. Muito menos como sair bem. Muito menos como sair sem mais mentiras.
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