Empurrado pelo acordo de paz em Gaza — ainda cheio de dúvidas, hesitações e prazos curtos —, Trump vira agora a bússola para a guerra na Ucrânia. Fala com Putin. E recebe Zelensky na Casa Branca.
A força de Trump está na mistura explosiva entre músculo militar e pressão negocial sob ameaça. O primeiro passo já foi dado pelo secretário da Guerra (que era da Defesa): «Vamos enviar armas de longo alcance», anunciou, sem mencionar os Tomahawk tão desejados. Moscovo já se agita. Kiev tem hoje capacidade para lançar centenas de drones sobre o território russo, atingindo centrais energéticas e refinarias — e isso abala os nervos russos.
Depois do telefonema e do encontro com Zelensky, Trump fará o que melhor sabe: falar, bajular, pressionar, incentivar e ameaçar. Tudo em discurso direto. Moscovo, por sua vez, também segue o seu guião, avisando para o perigo que representará a chegada de mísseis de cruzeiro às mãos ucranianas.
No meio deste jogo está a Europa. Acabou de anunciar uma Iniciativa de Defesa — ainda no papel, e longe de se tornar real. É o caminho certo, mas lento. Os europeus precisam de deixar de depender dos humores de Washington e da imprevisibilidade americana em relação à NATO.
Antes de tudo, porém, vem o custo — e o risco de duplicar alianças e estruturas. Ainda assim, a União Europeia não pode continuar a fingir que esta guerra, à porta de casa, não lhe tira o sono.
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