O grupo Volkswagen utilizou ‘software’ para ocultar os valores reais de poluição emitidos pelos motores a gasóleo dos seus automóveis das marcas VW, Audi, Skoda e Seat.
As notícias mais recentes dão conta que os automóveis envolvidos aproximam-se dos 11 milhões em todo o mundo. No caso dos Estados Unidos as suspeitas centram-se nos modelos Passat e Jetta, produzidos entre 2009 e 2015, meio milhão de viaturas no caso do mercado americano. São automóveis com motores de quatro cilindros diesel.
Michael Horn, CEO do Grupo Volkswagen, reconheceu a utilização do software para manipular a emissão de gases poluentes dos seus modelos. As acções da VW caíram a pique nas principais bolsas europeias, uma queda de 20% desde segunda-feira.
A investigação surgiu durante um trabalho dos investigadores do International Council on Clean Transportation que optou por usar os carros da VW para demonstrar como os automóveis com motor ‘diesel’ poderiam ter níveis baixos de poluição. Muito se tem escrito nas últimas 48 horas sobre o assunto.
Como sabemos, os níveis de gases poluentes que cada viatura lança para a atmosfera são directamente proporcionais ao imposto a pagar no momento de aquisição do automóvel. Os carros com valores de emissões mais reduzidos são mais baratos, pagam, por isso, menos imposto. O escândalo da VW pode levar os outros fabricantes a acusar o grupo alemão de concorrência desleal. Mas há mais! A Comissão Europeia confirmou que irá avançar com uma investigação aos automóveis do Grupo Volkswagen. Em França, o ministro das Finanças, Michel Sapin, afirmou que “Estamos num mercado com regras europeias, são estas que devem ser cumpridas e foram elas que foram deturpadas nos Estados Unidos”.
A onda de choque deste escândalo está a ter reflexos negativos, em bolsa, para diferentes marcas. O Grupo PSA (Peugeot/Citroën), assim como a Renault perderam hoje em bolsa 9,25% e 6,28%, respectivamente. Na Alemanha, a BMW recua 6,23% e a Daimler (Mercedes-Benz) 5,46%. Ou seja, todos os fabricantes que produzem carros com motores diesel passaram a ser suspeitos. Para que seja possível compreender um pouco melhor o trabalho desenvolvido pelos investigadores norte-americanos, é importante explicar que os automóveis com propulsores a gasóleo quando eram testados em laboratório ficavam dentro dos limites legais na emissão de gases poluentes, a situação alterava-se em estrada com alguns modelos, consoante o nível de potência dos motores, a libertar até 40 vezes o máximo permitido pela lei norte-americana.
O Grupo Volkswagen enfrenta agora uma multa que pode ir até aos cerca de 15,9 mil milhões de euros. A juntar a isto temos, ainda, a recolha de 500 mil automóveis e uma eventual indemnização por concorrência desleal de outros fabricantes. O prejuízo é enorme. De acordo com as últimas informações avançadas pela agência Reuters, Martin Winterkorn, CEO da Volkswagen, foi demitido e tudo indica que o seu sucessor será Matthias Muller, CEO da Porsche. A decisão final será tomada na reunião do Conselho de Supervisão, marcada para a próxima sexta-feira.