Porto, 10 Abr (Lusa) – Jesualdo Ferreira assumiu hoje o prazer de fazer “crescer” jovens como o lateral esquerdo Cissokho e o “trinco” Fernando, mas atribui aos mesmos boa parte da responsabilidade pelo seu reconhecido desempenho competitivo.
“(Cissokho) é o modelo do jogador novo, com pouca experiência, conhecimento rudimentar do jogo – parece que tem jogado play-station -, um potencial fabuloso, mas um detalhe importante: uma apetência tremenda para aprender, uma capacidade de apropriação das coisas fora do normal, tal como o outro menino do meio (Fernando)”, explicou.
E os elogios não se ficaram por aqui: “qualquer informação que se passe a um jogador deste tipo ele recolhe-a e põe em prática. E tem outra qualidade, quando não percebe, pergunta, algo que muitos jogadores não são capazes de fazer”.
A conversa começou precisamente por Aly Cissokho, o jovem que há meses jogava na segunda divisão francesa e agora se impõe no FC Porto, com um desempenho de destaque terça-feira na visita ao Manchester United (2-2): à comunicação social gaulesa, o atleta francês de origem senegalesa tirou o “chapéu” ao trabalho de Jesualdo Ferreira.
“Viu-se envolvido num filme destes e para ele aquilo foi claramente uma novidade. Ficou espantado por o FC Porto ser capaz de chegar a Old Trafford e fazer o jogo que fez. É o espanto dele”, explicou.
Atingido este patamar, as responsabilidades são cada vez maiores, tanto para o atleta como para o treinador, “que tem formas de intervir no desenvolvimento ou estagnação dos jogadores”.
Jesualdo revelou que já falou com Cissokho “para vincar que a partir de agora outras questões se põem na vida dele e no seu trabalho diário e de jogo”.
“Um treinador é obrigado a fazer crescer os seus jogadores, tenham a idade que tiverem. Ninguém vai conseguir entender o meu jogo e o que quero se não souber fazer aquilo que o jogo exige. Sem nunca retirar de um jogador a sua qualidade, o treinador tem de orientar as suas capacidades para ser mais forte enquanto profissional naquele clube, naquele momento”, acrescentou.
O técnico portista revelou que a inteligência é das qualidades que mais aprecia nos seus pupilos, pois defende que “a capacidade táctica e individual e colectiva são as coisas mais importantes no futebol”.
“A montagem de uma equipa é estratégia de treino, organização, comando e liderança. Ditar a táctica qualquer treinador dita. Tirar este e meter aquele também. Dar sugestões é fácil, mas decidir é que é difícil. Numa equipa de ‘top’ as exigências são demasiado grandes para se falar com a leviandade que se fala sobre o treinador de futebol”, concluiu.
RBA/RYA.
Lusa/Fim.