Não havia Facebook nem Instagram mas, em meados do século passado, as fotografias de gatos já enfeitiçavam as massas. Tornavam-se tão populares que as marcas se degladiavam para as poderem colocar nas suas embalagens.
O grande mestre na arte de fazer ronronar o mais duro dos corações foi Walter Chandoha, um fotógrafo americano que cobriu a II Guerra Mundial mas acabou por dedicar a sua vida a captar essa centelha especial que mora no olhar dos gatos.
As suas fotografias fizeram mais de 300 capas de revistas, foram usadas em anúncios publicitários, postais de felicitações, puzzles e o mais que se possa imaginar. Além de tecnicamente muito boas, há sempre ação, vida e emoção nos instantes que nos revela.
Tudo começou por acaso, quando viu um gatinho abandonado numa rua de Nova Iorque. Estávamos no Inverno de 1949, e começara a nevar. O fotógrafo embrulhou-o no casaco e levou-o para casa. Foi com esse gato a que chamou Loco (maluco) que pensou ter descoberto um caminho seguro para pôr comida na mesa. “Disse à minha mulher: ‘As pessoas ficam doidas com fotografias de gatos, vamos dedicar-nos a isto e ficaremos ricos!’ Claro que não foi nada assim, passámos por muitas dificuldades”, contou, bem-humorado, numa entrevista filmada já no final da sua vida. Mas o casal manteve a dedicação ao trabalho e a constância da qualidade apresentada acabou por dar os seus frutos.
Walter Chandoha morreu em janeiro de 2019, aos 98 anos, e passou os seus últimos dias com os editores da Taschen a selecionar centenas de fotografias para o livro Cats – obra que acaba de ser publicada, prestando tributo às sete décadas que ele dedicou a fotografar os animais das sete vidas.