A Marinha do Reino Unido anunciou a estreia do sistema Lura, uma mudança no paradigma da guerra submarina que assenta em drones autónomos que se mantêm no fundo dos oceanos, funcionam em rede e que usam Inteligência Artificial para detetar a presença ou movimentação de ameaças submarinas.
O Lura foi desenvolvido pela Helsing, uma empresa especializada em defesa, usa uma constelação de sensores acústicos montados em ‘planadores’ e que dão pelo nome de SG-1 Fathoms. Estes planadores foram desenhados originalmente para monitorizar condições marinhas e vigiar baleias, mas constituem agora a espinha dorsal para um sistema de deteção de ameaças. Assim que uma movimentação ou um alvo anormal são detetados, o sistema envia os dados em tempo real para o centro de comando da Marinha que irá analisar e atuar.
Um sistema de Inteligência Artificial faz com que os sensores sejam capazes de distinguir várias embarcações na mesma área e fazer distinções com base nas assinaturas acústicas, algo que um intérprete humano teria dificuldade em conseguir. Gundbert Scherf, co-fundador da Helsing, explica que “o Lura deteta, para as marinhas poderem deter (…) Lançar Inteligência Artificial para constelações no fundo dos mares vai iluminar os oceanos e parar os nossos adversários. Já Niall Cartwright, arquiteto da empresa, conta que “um só não consegue fazer muito sozinho. Mas são tão baratos e simples que podemos lançar centenas ou milhares nas águas. Eles [os inimigos] vão pensar duas vezes antes de vir”, cita o The Times.
O sistema foi otimizado para detetar a ameaça russa e o Lura consegue distinguir entre as diferentes embarcações que constituem a Marinha russa e os navios de passageiros. O contrato da Marinha Britânica visa usar a Inteligência Artificial e outras soluções avançadas para monitorizar as águas britânicas contra eventuais ameaças de Moscovo.