Uma equipa de investigadores da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça, inspirou-se na Natureza para construir um novo drone que usa um par de patas, como um pássaro, para lhe dar o impulso para uma descolagem eficiente.
Adicionar patas ao drone trouxe desafios quanto à complexidade do projeto e a equipa liderada pelo investigador Dario Floreano a começou por analisar como são as patas das aves na vida real. O rácio de massa de perna e pata para o tamanho da ave cresce conforme a dimensão do animal. Assim, os investigadores construiram patas que se assemelham bastante às dos corvos, que pesam cerca de 100 gramas.
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Os investigadores tiveram de fazer ajustes, como retirar a articulação ao nível do joelho para poder poupar no peso. Na parte dos ‘dedos’, a equipa optou por deixar três virados para a frente e um virado para trás. Wong Dong Shin, um dos principais investigadores do projeto explica ao ArsTechnica que foi também colocada uma mola que, quando o drone está ‘agachado’, armazena energia que é libertada no momento do salto, quando as pernas se esticam.

As patas do RAVEN acabam por pesar 230 gramas e são suficientes para o drone poder andar, saltar, descolar e voar. Os cálculos em laboratório mostraram que o drone teria de alcançar os 2,5 metros por segundo no momento da descolagem para poder voar e os cientistas conseguiram fazê-lo alcançar esta velocidade em 0,17 segundos.
“Quando estava a preparar as experiências, pensei que o salto iria fazer com que a descolagem fosse menos eficiente por causa da energia extra necessária para a bateria ativar as patas”, conta Shin. No entanto, “afinal, a descolagem com o salto foi mesmo a estratégia mais eficiente. Não esperava esse resultado. Foi surpreendente”, admite.
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Nesta fase, o RAVEN não consegue usar as penas para aterrar, mas a equipa revela que pretende trabalhar nisso no futuro. “Queremos implementar alguns sensores, talvez de visão ou hápticos. Desta forma, podemos saber onde é o local da aterragem, a quantos metros estamos e mais (…). O bater de asas também é um tópico interessante. Elas são importantes para a aterragem, porque os pássaros desaceleram com as asas primeiro, não com as patas. Com o bater de asas, este será um verdadeiro robô-pássaro”.
Os dois cenários de utilização mais óbvios para já passam pela ajuda em missões de busca e salvamento, com o drone a poder atravessar terrenos mais difíceis a pé e depois descolar como um pássaro e pelo uso em entregas de encomendas em zonas montanhosas.