Na icónica Rua das Flores, dos romances de Eça, nasceu um novo conceito de ensino. Celine Boisson espera-nos à porta do primeiro andar do nº 71, um edifício puído e centenário no coração da capital, em pleno Bairro Alto. O interior, bem ao estilo pombalino, está impecavelmente recuperado. A traça antiga – de tetos trabalhados e azulejos azuis e brancos – casa com a modernidade minimalista do mobiliário e da tecnologia. Apesar de labiríntico, há uma sensação de amplitude no espaço. Na parede, à entrada, estão 28 caras, jovens e sorridentes. Compõem a primeira turma do Forward College. Agora, estão em Paris. No próximo ano, rumam a Berlim.
A justaposição do design interior espelha, metaforicamente, o conceito desta nova universidade internacional, cuja viagem começa em Lisboa – “Tradição para a excelência, inovação para a relevância.” A frase parece batida, mas ganha uma nova dimensão neste modelo académico. Aqui, trabalham-se não só as competências cognitivas – através de currículos desenhados e acreditados pela Universidade de Londres – mas também as aptidões sociais, emocionais e práticas. As soft skills, cruciais para as exigências deste novo mundo, complexo e em constante mudança. “Existe uma grande necessidade de reinventar a forma como preparamos os estudantes para este futuro do trabalho, que já aqui está”, explica Celine Boisson, founding partner e responsável por marketing, recrutamento e operações. Destaca os desafios da Inteligência Artificial, das alterações climáticas e sociais, e diz ter a impressão de que “as pessoas tendem a sobrestimar o que se passa atualmente, mas subestimam o que se vai passar daqui a dez anos. 2/3 dos trabalhos vão ser profundamente alterados e existe a necessidade de evoluir na educação para preparar melhor os alunos”.