Correndo o risco de que qualquer um destes dois autênticos extraterrestres do futebol e do desporto a nível mundial possa vir a desmentir-nos, o ano que agora começa vai ficar marcado pela última presença dos dois maiores futebolistas de todos os tempos numa fase final de um Campeonato do Mundo de Futebol. Aos 40 e aos 38 anos, respetivamente, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi serão, a não ser que surja um qualquer impedimento físico, os capitães das seleções de Portugal e da Argentina que se apresentarão na prova que vai decorrer, entre 11 de junho e 19 julho, nos Estados Unidos da América, no México e no Canadá. E será neste Mundial das Américas que ambos irão estabelecer mais uma marca única nas respetivas carreiras e na História do futebol: a de serem os primeiros e únicos a participar em seis fases finais de um Campeonato do Mundo consecutivas. Um feito, para já, só ao alcance de dois mexicanos, Guillermo Ochoa e Andrés Guardado, ambos ainda no ativo, mas com poucas chamadas recentes à equipa nacional do México, uma das três seleções que vão jogar em casa.

Para lá dos recordes, Messi e Cristiano chegarão ao próximo Campeonato do Mundo de Futebol com posturas antagónicas. O argentino apresentar-se-á para defender o título conquistado, em 2022, no Catar, enquanto o craque português viverá a última oportunidade de alcançar o feito inédito de capitanear Portugal na conquista de um título mundial, depois de já o ter feito nas conquistas do Euro 2016 e em duas Ligas das Nações, em 2017 e 2025. Esta última conquista, conseguida em Munique, em junho, mostrou uma equipa de Portugal capaz de vencer Alemanha e Espanha, duas das maiores potências do futebol mundial e, também elas, eternas candidatas à vitória em campeonatos do mundo. Um lote que incluiu, como é óbvio, Inglaterra, Itália, França, Brasil e Argentina, sem esquecer também Bélgica e Holanda. Todas elas estarão presentes na América e poderão atravessar-se no caminho da equipa orientada por Roberto Martínez, que não poderá, no entanto, escorregar nos primeiros três jogos, nos quais vai defrontar, a 17 de junho, o vencedor de um play-off entre Congo, Jamaica e Nova Caledónia, a 23 de junho, o Uzbequistão (ambos os jogos em Houston), e a 28 de junho, a Colômbia, em Miami. Ultrapassada, como se espera, essa fase inicial, Portugal terá então de se preocupar com os muitos “tubarões” que terá de eliminar, se quiser chegar à tão desejada final. Tarefa hercúlea, é certo, mas perfeitamente ao alcance de uma equipa que, além (ou apesar, conforme a perspetiva de cada um) de Cristiano Ronaldo, conta com um lote de futebolistas habituados a jogar nas melhores equipas do mundo e a vencer grandes competições. Sonhar não custa.
