É uma daquelas novidades que, a confirmar-se, pode ser decisiva para o futuro da Zona Euro. O principal candidato ao cargo hoje ocupado por Mario Draghi – cujo mandato expira dentro de pouco mais de um ano – era o alemão Jens Weidmann, um conhecido crítico das medidas menos ortodoxas do Banco Central Europeu (BCE). Agora, Angela Merkel parece inclinada para manter a pólvora seca para o cargo mais importante de Bruxelas.
A notícia foi dada ontem pelo alemão “Handelsblatt”. Segundo o jornal, que cita fontes não identificadas do Executivo germânico, a chanceler debateu o tema com Weidmann numa reunião confidencial, em que o presidente do Bundesbank se mostrou disponível para aceitar o cargo de presidente do BCE, caso fosse nomeado.
A posição de Weidmann enquanto principal candidato justifica-se por representar o banco central mais poderoso da moeda única, mas também porque nenhum alemão ocupou ainda essa posição. Além disso, com o espanhol De Guindos na vice-presidência do BCE e Mário Centeno à frente do Eurogrupo, há uma pressão adicional para alguém mais conservador – e do Norte da Europa – ficar à frente do BCE.
Porém, tem havido cada vez mais sinais de que os franceses e os italianos não parecem satisfeitos com essa solução, que também deverá desagradar a países como Portugal ou Grécia. Porquê? Porque Weidmann tem uma visão bastante “alemã” da política monetária e da atuação dos bancos centrais. Tem repetidamente pedido para os estímulos serem retirados o mais rápido possível e defende que os juros devem estar em mínimos o menos tempo possível.
Desistir de Frankfurt para ir atrás de Bruxelas pode fazer sentido num ano em que haverá vários cargos de topo a vagar. Entre dezembro de 2018 e dezembro de 2019 acaba o mandato do economista-chefe do BCE (maio de 2019), presidente do Parlamento Europeu (julho), presidente do BCE (outubro), presidente da Comissão Europeia (outubro) e presidente do Conselho Europeu (novembro), entre outros.