Durante quatro meses, todos pudemos seguir, com mais ou menos interesse, uma das melhores séries que já passou nos canais portugueses: a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à TAP. Teve um pouco de tudo: negócios estranhos, intriga política, violência e até espiões metidos ao barulho com a prestação de serviços gratificados.
O enredo da CPI só foi atraente e viciante, porque, ao contrário das habituais mensagens no início ou no final das séries, “qualquer semelhança com a realidade” não era “coincidência”. Foi mesmo assim e o País assistiu. Desde a privatização, em 2015, com um negócio pouco claro feito por David Neeleman, passando por um acordo, em 2017, que permitiu ao Estado voltar a entrar no capital da TAP, algo que se materializou em 2020, com o pagamento de 55 milhões de euros ao empresário que, contas por alto, apenas tinha gasto 10 milhões para comprar a companhia. Por detrás de cada uma daquelas decisões, refira-se, esteve sempre o habitual parecer jurídico dos advogados.