Considerar algo sob um ponto de vista relativo e não absoluto é uma prática válida e útil de análise. Uma percentagem pode parecer grande, mas em termos relativos ser afinal menos impactante. Uma situação pode parecer excecional, mas a realidade dos factos mostrar que afinal é mais frequente do que se possa supor.
Mas a relativização, como técnica de argumentação política, deve ter os limites que o bom senso impõe. O primeiro destes limites é não se cair na tentação de relativizar tragédias. Claro que, comparado com um cataclismo de enormes proporções, um desastre de média dimensão é, digamos assim, menos mau. Mas é bom de ver que vida humana e tudo o que é essencial para ela – a segurança, a habitação, a saúde – são temas não se compadecem com relativismos teóricos.