De par com muito trabalho e algum baralho havia, se bem me lembro, expectativa e preocupação nos velhos estúdios da RTP do Lumiar, nessa tarde de 25 de Abril de 1975. Expectativa e preocupação que não excluíam, pelo contrário, entusiasmo ou até alegria. Um certo clima de festa, que era o dominante lá fora, no dia em que os portugueses pela primeira vez em meio século votavam em liberdade. Em que era mesmo a primeira vez na nossa História que havia umas eleições em liberdade por sufrágio universal. E com uma lei que se esmerara, até ao exagero do impraticável, em assegurar a igualdade de todas as candidaturas.
Eram os últimos preparativos para o que seria uma emissão também ela histórica, única, de 30 ou mais horas, planeada fundamentalmente pelo Carlos Cruz (ainda por incumbência do anterior presidente da RTP, e futuro Presidente da República, Ramalho Eanes) e por ele muito bem coordenada. Carlos inclusive presente no estúdio, sentado numa mesa, e por vezes intervindo, mesmo em diálogo com o pivot Joaquim Letria, jornalista/apresentador da emissão, cujo “êxito” a ele muitíssimo ficou a dever – excelente comunicador e entrevistador televisivo, com uma intuição e uma empatia raras.
