Para a história do futebol português, a época 2023/2024, que agora caminha para o final, vai inevitavelmente destacar dois homens. Por mais que se saiba que este é, por definição, um desporto coletivo em que nenhuma individualidade é capaz de vencer sozinha, a este título de campeão nacional do Sporting ficarão sempre associados os nomes de Rúben Amorim e Viktor Gyökeres. Na máquina bem oleada e afinada que toda a estrutura sportinguista conseguiu montar, do presidente ao roupeiro, passando por dirigentes, técnicos e jogadores, o treinador português e o ponta-de-lança sueco assumiram os papéis de protagonistas e principais obreiros de um sucesso que promete não ficar por aqui. É com isso que já sonham os adeptos do Leão.

A glória do Sporting na presente temporada começou a desenhar-se após o desastre da época anterior, em que o clube de Alvalade não venceu um único troféu. Ficou-se pelo quarto lugar no campeonato, não foi além da fase de grupos da Liga dos Campeões, caiu nos quartos de final da Liga Europa, foi afastado da Taça de Portugal logo na primeira eliminatória em que participou e perdeu a Taça da Liga, na final contra o FC Porto. O fracasso, que, em Portugal, é habitualmente sinónimo de mudança de treinador, foi encarado pelos dirigentes do Sporting, sobretudo pelo seu presidente, Frederico Varandas, e pelo diretor desportivo, Hugo Viana, como apenas um percalço num projeto que começara muito bem em 2020/2021, quando Rúben Amorim levou a equipa à conquista do título, que escapava ao clube há já 18 anos, e tivera uma continuidade na conquista da Taça da Liga de 2021/2022, frente ao Benfica. A noção de todas as partes envolvidas, a começar nos dirigentes, passando pelo próprio técnico e, muito importante, a esmagadora maioria dos adeptos, era a de que a melhor maneira de recuperar de um desaire não tem de implicar obrigatoriamente uma mudança radical no projeto, mas sim a aprendizagem com os erros, a resolução de problemas, a correção de rumo e a manutenção da aposta inicial.
