Junto ao muro que dá acesso ao Castelo de Moura, a água corre livre e fresca da fonte de Santa Comba. Um pouco mais adiante, volta-se a ouvir o marulhar do valioso líquido na monumental fonte das Três Bicas, com cantaria de mármore, localizada entre a biblioteca municipal e o edifício onde em tempos funcionaram as termas, junto ao Jardim Dr. Santiago. Muito antes de existir o Alqueva, o maior lago artificial da Europa, foi a água que aqui fixou e trouxe gente de todos os lados. A partir de 1 de junho, mais visitantes hão de por aqui passar, quando se inaugurar a praia fluvial, que se chamará do Lago, e a Estação Náutica Moura-Alqueva, com piscina flutuante, restaurante e bar, operadores turísticos, cais, ancoradouro e zonas verdes.
Vanessa Gaspar, arqueóloga do município, é guia do percurso Do Castello até Pisões, um dos passeios pedestres ligados à água, que se podem fazer em Moura. “As duas nascentes existentes na alcáçova do castelo ainda hoje abastecem as fontes. No século XIX, foram estas mesmas águas, à data consideradas curativas pela ausência de doenças de estômago e de bexiga de quem aqui vivia, que levaram à criação de um hotel termal e um estabelecimento de banhos, incluídos na exploração da concessão da água Castello”, explica. É no castelo que se dá a partida, no cerro mais alto da cidade, onde havia abundância deste recurso natural e onde nasceu, em 1899, a primeira unidade de exploração. A aventura começa junto aos painéis da exposição que assinalaram, em 2019, os 120 anos da água Castello, passa por um olival tradicional, típico da paisagem da região, e termina com uma visita ao museu da empresa, na localização atual, em Pisões. Através de fotografias de época, garrafas, rótulos, publicidade, máquinas e outros objetos, conhecem-se várias curiosidades, nomeadamente a primeira garrafa, parecida à de um espumante e com rolha de cortiça. Para se ter uma ideia, é do sistema aquífero Moura-Ficalho, com cerca de 177 km², área semelhante à ocupada pelo regolfo de Alqueva, que vêm estas águas.

