Esta foi uma das perguntas mais pesquisadas nas últimas semanas no Google. Com as performances a que temos assistido dos Jogos Olímpicos de Inverno, com os atletas a rodopiar sem parar, é impossível não questionar: como é que eles não ficam tontos? Na verdade, é uma questão de “hábito”. Segundo os especialistas os patinadores treinam o corpo e o cérebro para anular essa sensação.
Kathleen Cullen, professora de engenharia biomédica da Universidade Johns Hopkins, estuda o aparelho vestibular – o conjunto de órgãos do ouvido interno, responsáveis pelos movimentos do corpo, como o equilíbrio.
“No início das suas carreiras, os atletas ficam tontos com as performances que praticam”, começa por explicar. “Mas há uma mudança fundamental – e profunda – que acontece no cérebro de pessoas como os dançarinos ou os patinadores. É basicamente uma mudança na maneira como o cérebro processa as informações”, diz Cullen.
Normalmente, as pessoas quando giram, explica a especialista, “ativaram os canais semicirculares, os sensores de rotação. Estes estão cheios de fluido e estão a analisar a rotação do corpo. Mas quando param, o fluido tem inércia e tende a continuar a mover-se, obtendo uma falsa sensação de movimento.”
O mesmo não acontece com os profissionais: os cérebros dos patinadores artísticos, por exemplo, adaptam-se e aprendem a ignorar esse efeito. “Não desaparece totalmente, mas este erro fica como que anulado comparando com as pessoas normais”. “Este treino é feito ao longo do tempo, no dia a dia, à medida que o cérebro compara as expectativas com o que está realmente a receber dos recetores sensoriais”.
O cérebro e o ouvido interno estão em constante comunicação com o corpo e entre si para terem equilíbrio, explica Brigid Dwyer, professora assistente de neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Boston. “Para a maioria das pessoas, no entanto, a tontura é apenas um problema durante atividades mais rápidas e vigorosas”, diz. “Incrivelmente, quando necessário, o nosso cérebro pode ser solicitado ao longo do tempo para lidar melhor com as tarefas vertiginosas que encontramos no dia a dia”, citada pela CNN.