A New Horizons começou o ano em grande e às primeiras horas de 2019 sobrevoou o objeto mais distante da Terra alguma vez visto, localizado na enigmática região do Cinturão de Kuiper, com o que NASA espera abrir um novo capítulo na compreensão das origens do sistema solar.
Dez horas depois dessa aproximação ao Ultima Thule – a New Horizons ficou a 3500 quilómetros – chegavam ao Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins os sinais de que a missão correra como planeado e de que a sonda estava então em posse de numerosos dados sobre o misterioso objeto.
“Nunca antes uma nave espacial explorou um objeto tão distante”, congratulava-se, na terça-feira de manhã, o diretor científico da missão, Alan Stern. “Os dados que temos são fantásticos e já estamos a aprender sobre o Ultima. Daqui para a frente, os dados vão ser cada vez melhores!”
As imagens são obra do telescópio Long-Range Reconnaissance Imager (LORRI) e permitem aos especialistas calcular que o Ultima Thule tem cerca de 32 por 16 quilómetros, uma forma que a NASA compara à de um pino de bowling e uma rotação semelhante à de uma hélice, a uma velocidade que ainda não foi possível calcular.

Esta sequência de imagens, captadas com 70 e 85 minutos de intervalo, mostra a rotação do Ultima Thule
NASA/JHUAPL/SwRI
O formato calculado deixa ainda em aberto a possibilidade de se tratar não de um mas de dois objetos a orbitarem-se mutuamente.
“Este sobrevoo é uma primeira vez para todos nós – Laboratório de Física Aplicada, NASA, o país e o mundo”, resume o diretor do Johns Hopkins, Ralph Semmel. Adam L. Hamilton, presidente e CEO do Southwest Research Institute, no Texas, faz eco desse entusiasmo: “Chegar ao Ultima Thule, a 4 mil milhões de quilómetros de distância é um feito incrível.”
A New Horizons, que foi lançada em janeiro de 2006, deverá continuar, ao longo dos próximos 20 meses, a enviar novos dados e imagens do objeto.