Logo a seguir ao pinguim-imperador, o pinguim-rei é a maior espécie, com cerca de 90 centímetros de altura. Há 35 anos, existiam 500 mil pares reprodutores na remota e desabitada Ile aux Cochons, no oceano Índico. Agora, as imagens aéreas e de satélite usadas para estimar o tamanho da colónia – a última visita à ilha foi em 1982 – mostram uma descida “massiva e inesperada”. E embora os cientistas afastem a possibilidade um evento catastrófico, como um tsunami ou uma erupção vulcânica, explicações para o fenómeno ainda não existem.
No estudo publicado no Antarctic Science, investigadores franceses do Centro para os Estudos Biológicos, em Chize, explicam que os dados mostram que o declínio começou no final dos anos 90, coincidindo com um evento relacionado com o El Niño que afetou outra colónia de pinguins, a 100 quilómetros de Île aux Cochons. Por isso, esta é uma das possibilidades em cima da mesa.
Outra hipótese é a da própria densidade da colónia – quanto maior a população, maior a competição entre indivíduos, menor o crescimento. Em colónias desta dimensão, os efeitos da falta de alimento também são ampliados e podem, em teoria, justificar uma quebra tão acentuada no número, sobretudo em conjugação com as alterações climáticas.
A possibilidade de uma doença, como a cólera aviária, que está atualmente a afetar aves de outras ilhas do Índico, incluindo pelicanos e outra espécie de pinguins, está também a ser analisada.
No entanto, nenhuma destas hipóteses explica um declínio da magnitude do observado naquela colónia de pinguins-rei, no arquipélago de Crozet, entre a África do Sul e a Antártida.
Em comunicado, os investigadores adiantam que vão deslocar-se em breve até ao local para confirmar as observações através das imagens de satélite.