Embora sem as tradicionais arruadas ou os almoços e jantares da praxe, cancelados por todos os partidos, à exceção do Chega, a campanha, em tempos de Covid-19, continua a sair à rua. Depois dos debates televisivos, e ainda com pouco domínio da comunicação digital, a presença no pequeno ecrã, em telejornais, continua a ser fundamental. Também por isso os líderes ligam o conta-quilómetros e percorrerão o País – e só no PCP se faz sentir a ausência do líder, Jerónimo de Sousa. O secretário-geral comunista foi operado de urgência, por causa de uma estenose carotídea (excesso de colesterol nas artérias, que pode causar um enfarte do miocárdio), e substituído pelos candidatos João Oliveira e João Ferreira, na fase da campanha que os comunistas mais valorizam: o contacto com a população.

É a altura do tudo ou nada, numa eleição que se espera renhida, se se confirmarem as projeções das sondagens, algumas das quais já chegaram a apresentar os dois maiores partidos em empate técnico. Manuel Carlos Silva, doutorado em Ciência Política, sociólogo e antigo docente da Universidade do Minho, realça que será uma eleição muito “bipolarizada e que colocará dificuldades aos partidos com menos peso parlamentar, principalmente ao BE e ao PCP. O último já começou a ser arrasado por António Costa no debate televisivo, e assim deverá continuar, porque o PS está concentrado na maioria absoluta e, para isso, tem de diminuir a votação nos partidos à sua esquerda”. Manuel Carlos Silva, apoiante bloquista, duvida de que os socialistas alcancem a maioria absoluta, mas acredita que “o PS consegue uma maioria relativa”. Costa vai ter de dar tudo por tudo – até porque já admitiu deixar a liderança do partido, se perder as eleições –, o que implica aparecer junto do eleitorado, rodeado por todo o apoio que a distância física, que tanto pede nas conferências de Imprensa do Conselho de Ministros, lhe permitir.
Campanha socialista começa nos Açores e acaba no Porto. Sociais–democratas partem de Braga para chegarem a Lisboa
