
Paola D’Agostino nasceu de um dilema impossível: a mãe teve de escolher entre continuar a quimioterapia agressiva que estava a fazer e viver para cuidar dos quatro filhos que já tinha ou prosseguir com a gravidez. Morreu dois anos mais tarde, mais ou menos na mesma altura em que o aborto foi legalizado em Itália. Paola nunca falou com a mãe e, por isso, sentiu que tinha de escrever este livro numa língua que fosse um território neutro, não partilhado por mais nenhum elemento da família. Foi por isso que escreveu esta obra em português, que é um híbrido entre o ensaio sobre o aborto, a autobiografia e um romance sobre o que imaginou da história da sua mãe. Ocupação da Mãe é uma forma de inventar essa mulher, de a interrogar, mas também de andar pelos labirintos das escolhas, das culpas e do peso de fazer ou não um aborto. Paola é o feto que não foi abortado. E fala para a geração de mulheres que vem a seguir à sua, lembrando-lhes a importância de não abrir mão de um direito que custou tanto a conquistar.
Quando é que percebeu que tinha de escrever este livro?
A primeira versão do livro foi escrita sob a forma de uma correspondência impossível com a minha mãe. Depois percebi, falando com a editora, que o formato das cartas retirava força ao livro. Então, decidi que tinha de escrever um livro de raiz. Tirei dois meses só para escrever. Fechei-me em casa e escrevi o livro entre 2023 e 2024.

Este livro é a tentativa de construir uma mãe que não se conheceu. Uma mãe que não deixou sequer uma linha escrita, só um baú de bordados. Uma mãe que é inventada nestas páginas a partir de histórias que se ouviram, de imagens que a evocam, de pedaços que se colam e se imaginam. A mãe que só tinha fotonovelas para imaginar o mundo e que, no quarto do hospital católico onde enfrentava um cancro, ia tentando perceber se devia prosseguir com a gravidez que ditaria a sua morte, enquanto nas ruas de Itália as feministas marchavam a favor do aborto e o tema suscitava debates acesos entre intelectuais. Misto de ensaio, autobiografia e romance, Ocupação da Mãe é um livro feminista, que nos interpela sobre o papel da mulher, mas é também um relato intimista e muitas vezes comovente sobre a maternidade e a ausência mais pesada de todas, a da mãe.
Edição Companhia das Letras
Há ausências na nossa vida que são presenças. Imagino que este diálogo com a sua mãe não tenha sido uma coisa que aconteceu só em 2022.
Não, o diálogo existe. Tenho, desde sempre, este livro na mesa de cabeceira. O meu sonho era escrever este livro. Eu digo que é o livro da minha vida e é mesmo: é a história da minha vida. É um livro que há muito tempo andava a escrever. Mas o verdadeiro problema era: eu quero escrever esta história, eu sei que esta história tem um valor, mas não quero escrever uma história triste, uma história trágica, uma história aborrecida, que pode correr o risco de ser mais uma autobiografia no feminino. Quando decidi que fazia sentido pegar outra vez nesta história e transformá-la numa história que podia ser de todas nós foi quando comecei a sentir que havia um ataque aos direitos conquistados pelas mulheres, um pouco por todo o mundo. Entre 2021 e 2022, foi quando senti que poderia contar esta história através da urgência.
Este livro tem esse plano, mas é também uma construção da sua mãe. Imagino que esse diálogo a tenha acompanhado a vida toda, não?
Devo ter falado com a minha mãe a vida toda, especialmente na adolescência, que é aquele período em que questionamos os pais. Eu questionava muito a minha mãe, quase zangada. “Porque é que me fizeste se não pudeste acompanhar-me?” Porque é que uma pessoa tem um filho se sabe que não pode acompanhá-lo? Era a parte que mais me perturbava. O abandono.
Há o outro lado deste livro, que é o universal, que tem que ver com o dilema. É um livro sobre uma escolha impossível, mas que a sua mãe fez. A sua mãe podia não a ter tido.
Mas até chegar a perceber que ela pôde escolher foi um percurso longo. Durante muito tempo, fui questionando e interrogando a história da minha mãe.
Não lhe contaram logo, claro.
Não me contaram logo. Nem eu perguntei. Mas a minha tia, a minha tia-mãe, era uma daquelas senhoras antigas que eram uma espécie de sibilas, que diziam uma frase que desvendava mundos, mas de uma forma muito subtil. Um dia, enquanto tomávamos café, disse-me: “Olha, a tua mãe não queria dizer-me que estava grávida, porque achava que eu a obrigaria a abortar.” E isso foi a pista que abriu toda uma outra forma de interrogar esta história. Ou seja, eu percebi que havia ali uma teimosia da minha mãe ao guardar para si esta escolha, que era uma escolha de amor, que implicava também com a sua escolha anterior. A escolha de ter feito amor sem pensar nisso, sem pensar nas consequências. E isto levou-me depois a investigar, a pensar, a avaliar tudo de outra forma, quando percebi que ela tinha feito esta escolha. Por outro lado, ela estava a ser tratada num hospital católico, ou seja…
É uma mulher que não está no vácuo. Ela tem um ambiente que a forma para ser de uma determinada maneira.
Exatamente. Por um lado, ela sempre foi formada numa cultura católica, numa aldeia pequena do sul de Itália. Portanto, há um sistema de valores que, se calhar, embora não se diga abertamente, ainda está mais ou menos em vigor dentro daquele mundinho das beatas.
É a anulação da mulher, não é? Ou seja, a mulher é o veículo.
A mulher é o veículo de uma forma quase ficcionada de família. Quando vês a Nossa Senhora, vês sempre a Nossa Senhora com a criança ao colo. A mulher, por excelência, é mãe. E o pai quase que não conta muito. Dentro da narrativa católica, no fundo, o pai é uma figura secundária. Porque a narrativa verdadeira é a Nossa Senhora com o filho ao colo. E isso implica toda uma construção e toda uma forma de pensar os acontecimentos do mundo, mas sobretudo o corpo das mulheres.
Isso retira agência às mulheres, a capacidade de decidir sobre o seu próprio destino.
Sim. E não digo que sejam necessariamente católicas. Tinha um professor de História das Religiões na faculdade que nos dizia que em Itália somos todos católicos até prova em contrário. E é verdade. E isso implica que a maternidade é um destino.
O que está a dizer é que, apesar de aparentemente a sua mãe ter feito uma escolha, talvez ela não tenha feito uma escolha.
E esse é o ponto dramático do livro: uma mulher, nas condições de uma mulher há 50 anos, num contexto muito pequeno e muito católico, podia sempre escolher, mas a escolha implicava entrar num regime ilegal.
O aborto só foi legalizado em Itália no ano em que a sua mãe morreu, dois anos depois de a Paola nascer.
Foi em março de 1978 e ela morreu em novembro de 1977. Uma coisa fascinante é que, ao mesmo tempo que a minha mãe ia tendo dentro da mente este dilema, nas ruas das cidades, as mulheres, as feministas, estavam a exigir o direito de escolha para ela. Ela era um ponto minúsculo dentro de uma mancha maior que eram as mulheres, no geral. E depois havia outras mulheres e homens, porque também houve o debate entre os escritores, o debate entre Pier Paolo Pasolini e Alberto Moravia [em 1975, nas páginas do jornal Corriere della Sera, sobre a legalização do aborto em Itália]. Às vezes, parece uma simples questão que tem que ver com as mulheres, mas não é. É uma questão que tem que ver com os direitos humanos, tem que ver com as liberdades de todas as pessoas. E, portanto, é bom que os intelectuais reflitam sobre isso. Era bom na altura e, hoje em dia, infelizmente, volta a ser necessário.
Há também uma questão de classe no aborto que é evidente. No livro, está uma carta de uma amiga sua, uma mulher que fez um aborto em 1969, em plena ditadura, sem problemas por ser de uma classe alta, mas que, no referendo ao aborto, votou contra. E reafirma no seu livro que votaria novamente contra.
É uma pessoa de quem eu gosto muito, é uma grande amiga minha e nós conversamos muito sobre as questões das mulheres de pontos de vista diferentes, de épocas diferentes. Havia várias coisas. Uma é que ela tem praticamente a idade da minha mãe e a outra é que ela é de uma classe diferente, é uma mulher que estudou, é uma mulher que teve uma vida profissional.
Aliás, ela usa um argumento racional, jurídico, não religioso, para defender o voto contra, que é o direito do nascituro, da criança que está ainda no ventre. O que é curioso, porque, naquele contexto, ela vai contra aquilo que ela própria defende. Isto é hipocrisia máxima.
É hipocrisia máxima. Mas quando ela diz aquilo, é sincero. Acho nisso uma espécie de ternura de ironia, porque ela diz: “Eu sei que isto tudo é contra um sistema jurídico, um sistema de valores, no qual eu me inscrevo, mas, mesmo assim, eu vou furar esse sistema e vou ser livre de decidir que eu quero abortar.” Ela diz que abortou todas as vezes que ficou grávida, porque não queria ser mãe. Não diz quantas vezes, eu sei, mas ela não diz e eu respeito isso. Mas ela abortou todas as vezes que ficou grávida, mesmo sabendo que ia infringir leis éticas e jurídicas que ela aceita.
Porque sabia que tinha o privilégio de classe de furar a lei sem castigo. Porque o castigo das mulheres pobres era morrer, às vezes.
Claro, porque o único castigo dela seria, e foi, o silêncio. Ela nunca contou. Contou-me a mim, nunca tinha contado a ninguém antes.
Mas fazia-o com condições médicas.
Fazia com condições médicas. Há um movimento a favor do aborto que trabalha junto da Comissão Europeia que diz que quem está a votar contra o aborto não está a votar contra a possibilidade de as mulheres abortarem. Está a votar contra a possibilidade de as mulheres que não têm dinheiro se salvarem. Porque vão abortar todas.
A tese de Álvaro Cunhal na licenciatura em Direito era sobre isso, sobre o aborto como uma questão de classe.
Exatamente. Mesmo em Itália, na altura em que se debatiam as questões do aborto, havia viagens organizadas para as mulheres feministas e para as mulheres que conseguiam dinheiro para irem a Londres abortar.
Fala-se pouco das crianças que nascem sem rede, sem amor, sem apoio, sem condições económicas, não é?
Para mim, o caso mais emblemático disso é o de Shelley Lynn Thornton, a filha de Norma McCorvey, a mulher do famoso caso Roe versus Wade. Norma queria abortar porque já tinha dado duas crianças para adoção. Na altura, a clínica que fazia os abortos ilegais fechou e ela não conseguia abortar. Duas advogadas americanas feministas usaram o caso dela para promover o direito ao aborto. Só que aquele foi um julgamento tão longo, que quando acabou a senhora já tinha tido a criança, a Shelley Lynn, que é uma rapariga da minha idade. Em criança nunca soube nada até que, a dada altura, a mãe [que tinha feito campanhas pró-aborto] entra em campanhas contra o aborto e começa a mencionar a filha e a dizer que gostaria de a rever. A rapariga não quis conhecê-la. Sempre que tentavam entrevistá-la (os vídeos estão no YouTube), dizia que não queria dar opinião, porque não queria ser instrumentalizada. Só que quando foi o momento de reverter o acórdão Roe vs. Wade, finalmente deu opinião e manifestou a sua posição a favor do aborto. No final da vida, Norma McCorvey quis também dar um testemunho para dizer que estava a mentir por dinheiro quando foi contra o aborto.
Essa história mostra como o corpo das mulheres é um campo de batalha.
Exatamente. É um campo de batalha no qual se vence e se perde, dependendo também das necessidades materiais. Porque mesmo a questão ética muitas vezes é condicionada pelas condições materiais. Mas o que me interessou muitíssimo foi a história da Shelley Lynn, porque fala apenas quando a sua história pessoal é uma história que não é apenas sua, é uma história política que tem que ver com a história coletiva e com os direitos de todas as mulheres. É nesse momento que ela acha que tem o dever de expressar uma opinião.
Isso é muito poderoso porque ela é o feto que fala.
Exatamente, o feto que fala. Shelley fala porque sentiu que a opinião do feto era determinante. Acho que escrevi o livro pela mesma razão. Porque a geração das filhas, a geração do feto, a geração que tem 50 anos neste momento é a que sai dessa batalha campal, com as mulheres a ganharem um direito. E agora, passados 50 anos, esse direito é posto em causa. É a geração das filhas a falar pelas lutas das mães.
Pode parecer um contrassenso ontológico defender aquilo que teria inibido a sua própria existência.
Mesmo que eu não existisse neste momento devido à escolha de abortar, afirmo que é necessário que essa escolha esteja do lado da mulher.
Faz lembrar o argumento do violinista, que expõe no livro. Pode contá-lo?
O argumento do violinista é de 1971 e é de uma filósofa, Judith Jarvis Thomson. Imagine que uma mulher vai dormir e, no dia seguinte, encontra o seu corpo ligado com os tubos a um violinista famosíssimo. Ela foi raptada e levada para uma clínica, onde o diretor lhe diz: “Sentimos muito, mas fizemos um estudo e descobrimos que a única pessoa compatível com este homem é a senhora, portanto se ele não estiver ligado a si com estes tubos vai morrer. A senhora não pode subtrair-se a isso porque seria um assassinato. Mas não se preocupe porque isto vai durar pouco.” Passado uma semana, o diretor volta e diz: “Descobrimos que isto vai durar muito mais e que a senhora provavelmente morrerá, mas não podemos desligar os fios, porque isso seria matar um violinista.” O que a Thomson pergunta é se será justo e ético atribuir a esta mulher a responsabilidade desta vida sem lhe ter perguntado. Ou seja, assumir que ela vai ter de salvar uma vida sacrificando a sua própria. O que é que vale mais? Vale mais salvar a vida do feto ou salvar a vida da mulher? Neste raciocínio sempre valeu mais salvar a vida do feto até àquele momento, na década de 1970, em que se começa a pensar que a mulher poderia ter algo a dizer ou poderia ter direito também a guardar a sua própria vida. Um feto não é um ser humano mais do que uma bolota é uma árvore. Naquele momento é uma potência de ser humano e estamos a dizer que aquela vida ligada àquela mulher tem mais peso do que a própria. Porque isso pode implicar a morte da mulher.
Às vezes, uma morte simbólica.
Às vezes, uma morte simbólica, social, económica, claro.
E se estamos a falar do produto de uma violação, então ainda mais a morte simbólica e emocional dessa mulher…
Eticamente, é um assassinato. Ou então é uma espécie de mentira da santificação, que é outra coisa que acontece muito na religião católica. Há mulheres que foram santificadas por terem dado a vida a filhos pondo em risco a sua vida e morrendo por isso. Mas não é apenas uma questão católica. O Álvaro Cunhal explica bem no seu livro sobre aborto que é uma questão que tem também que ver com o sistema capitalista, com o patriarcado e com a produção e a conservação da força de trabalho. Neste momento em que há uma baixa natalidade em todo o mundo, em que começa a sentir-se a falta de mão de obra e as consequências que isso poderá ter no sistema capitalista, volta a ser posto em discussão o aborto.
Isso e a necessidade de manter o trabalho gratuito do cuidado feito pelas mulheres. À medida que há uma desigualdade crescente e que há uma perda de poder daquilo que eram as classes médias, para os homens manterem um determinado estilo de vida é preciso também que as mulheres ofereçam o seu trabalho gratuitamente e que fiquem em casa.
Possivelmente por isso temos agora o movimento das tradwives. Porque agora o que interessa é que as mulheres fiquem em casa e se dediquem à maternidade e aos cuidados da casa, deixando o mercado de trabalho livre para os homens e ao mesmo tempo suportando o estilo de vida deles com o seu trabalho gratuito. Até há quem diga que as mulheres levam para o mercado de trabalho uma ideologia woke, que pode potenciar os direitos dos trabalhadores.
Mas isso é partir do pressuposto de que não há homens feministas.
E há e há homens inteligentes. E essa também é uma conquista dos movimentos feministas. Ao passo que as mulheres foram explicando que o que queriam não era tão absurdo e foram atingindo uma organização mais justa da sociedade, é claro que os homens inteligentes não puderam não assumir que querem confrontar-se com mulheres livres.
A história do seu pai e da sua mãe, tendo este contexto religioso, social, económico, é uma história de amor? Não é uma história de opressão?
Não, é uma história de amor. A minha mãe era profundamente apaixonada por este homem fascinante. Nessa altura, a questão do amor nas relações era recente. A Simone de Beauvoir escrevia nos anos 1970 sobre o que é o amor, porque era preciso explicar às raparigas o que era o amor, o que era uma relação assente no amor. A minha mãe amava este homem, teve quatro filhos com ele e chegou a ter um quinto. A minha questão é também a de saber se no momento desse amor que me gerou ela teve a possibilidade de querer uma relação ou não ou de imaginar que poderia usar os contracetivos para se proteger.
Há muitas ferramentas que a sua mãe não tinha. Por exemplo, a escrita. Não lhe deixou uma única linha, mas deixou um baú com um enxoval maravilhoso.
Escreveu-me assim, bordou-me uns lençóis maravilhosos. Bordou as minhas iniciais em todos os lençóis. Vivi praticamente 50 anos com este baú na minha casa, sempre fechado. Como nunca me casei, aquilo era uma espécie de um bibelot quase inútil. Quando comecei a escrever este livro, foi quando fui abrir o baú do enxoval e pensei: “Vou usar estas coisas, são maravilhosas.” Porque havia um lado de sacralidade. Era como se fosse proibido usar sem casar. E era também um território sagrado, porque era qualquer coisa que era dela. O pudor que eu tinha em fazer perguntas sobre ela era o pudor que eu tinha em abrir o baú e usar aquelas coisas bonitas. A dedicação que ela pôs ao bordar aqueles lençóis é a mesma dedicação que eu pus quando me fechei dois meses a escrever o livro.
Diz que não tem língua materna no sentido em que nunca falou verdadeiramente com a sua mãe, porque ela morreu quando a Paola tinha 2 anos. Escolhe o português para escrever este livro porque há uma espécie de território neutro entre vocês. Isso é muito importante para si?
É fundamental. Senti que devia construir um diálogo numa língua que fosse só das duas. Em termos afetivos, a língua materna é aquela que se aprende não só com as palavras, mas com os gestos, com a frequentação de ambientes, de paisagens, de situações que acontecem dentro da relação entre mãe e filha. E eu queria muito aprender esta história num espaço que fosse nosso, num espaço que fosse de uma intimidade. Apesar de ser uma história que para mim não é só minha. No fundo, é o espaço perfeito para conseguir uma abstração, uma distância que me permita reformular as memórias.
Isso significa que ninguém da sua família leu o livro?
Não. Leram pedaços. Mas já estou a reescrever o livro em italiano. Sobretudo para as minhas sobrinhas. Eu queria muito que isto fosse uma passagem para a geração seguinte das mulheres. Dizer às mulheres das futuras gerações: “Nós estamos a velar por este direito, façam o mesmo, porque é importante.”