“As eleições para a Assembleia da República constituíram um sério e grave revés para o Partido Socialista.” Assim começa a resolução aprovada pela Federação Distrital de Setúbal do PS, a exigir à direção nacional do partido que reconheça “uma responsabilidade coletiva do Partido e dos militantes, que impõe uma reflexão crítica ao que ocorreu e suas consequências”.
O documento, aprovado em reunião da Comissão Política Distrital e do Conselho Estratégico, sublinha a necessidade urgente de reencontrar a relevância política da esquerda face ao crescimento dos populismos de direita, mas exorta o partido a focar-se nas causas em vez de responsabilizar figuras. “Que se privilegie a análise política não fulanizada, ou seja, não centrada em pessoas, mas sim em causas, não se perdendo de vista a razão do progressivo crescimento dos populismos de direita e do simultâneo definhamento dos partidos e mensagem de esquerda.”
Os signatários, que incluem três deputados (André Pinotes Batista, Eurídice Pereira e Clarisse Campos), o ex-ministro da Educação João Costa e a presidente da Câmara de Almada, Inês Medeiros, além de várias outras figuras de topo do PS, pedem ao Secretariado Nacional do PS e aos Presidentes de Federação que essa análise seja acompanhada de uma “revisão programática” da Declaração de Princípios do PS (revista pela última vez há mais de 20 anos) e de uma “revisão programática” que vá de encontro às “preocupações da sociedade”, abrindo a discussão “a outros agentes cívicos, académicos, entidades representantes dos trabalhadores, associações e profissionais de diferentes setores”.
A resolução apela ainda ao diagnóstico racional das “políticas e formas de comunicação que geraram o desencontro vigente do PS com a sociedade portuguesa” e recomenda que “os processos eleitorais internos sejam respeitadores das exigências dos atos eleitorais próximos, desde logo das eleições autárquicas”.