Na rua, quando anda pelo País, ainda o confundem com o comentador desportivo e falam-lhe das vitórias do Benfica, o seu clube do coração. Mas no Palácio da Ajuda, onde aconteceu esta entrevista, Pedro Adão e Silva é o homem que tomou conta da pasta da Cultura e conquistou um lugar no núcleo duro do primeiro-ministro. Passa muito tempo fora a “ouvir e a falar com as pessoas” e isso, a seu ver, ajuda a cometer menos erros. “Ninguém está preparado para ter funções governativas até ter funções governativas. Quem disser o contrário está a mentir”, afirma. Esta semana, apresentou uma ambiciosa reforma na orgânica do património nacional, que introduz uma lógica empresarial na gestão dos museus. Este foi o mote para uma conversa que passou por vários temas, incluindo uma análise do momento político.
Apresentou uma ambiciosa reorganização orgânica da Direção-Geral do Património Cultural, com a criação de dois novos organismos: a empresa Museus e Monumentos de Portugal e o instituto público Património Cultural. É finalmente uma grande reforma deste Governo, que a oposição diz que não tem sido reformista?
A minha prioridade, nesta fase, era reorganizar a Direção-Geral do Património, com o propósito de conferir ambição renovada e agilidade na gestão dos museus e monumentos nacionais. Investir no património compensa, mas é preciso dar condições para que sejamos capazes de maximizar as receitas, para redistribuir pelo próprio património cultural. É mesmo uma grande reforma. Eu não gosto muito dessa ideia das reformas estruturais, porque depois acaba por não acontecer nada. Do que eu gostava era que o conjunto de medidas que implementei fosse consolidado, institucionalizado e que não voltasse para trás.

