“Parasitas”, de Bong Joon-ho, foi o primeiro filme estrangeiro a vencer um Oscar para melhor filme. Além disso, a película coreana arrecadou também os Oscars de melhor filme estrangeiro e de melhor realizador. Foi o grande vencedor da 92.ª cerimónia dos Oscars, mas o feito parece não ter agradado Donald Trump.
“Quão mau foram os Oscars este ano? Vocês viram? ‘E o vencedor é… um filme da Coreia do Sul’ ”, foram estas as palavras proferidas pelo presidente americano durante um comício no estado de Colorado, que acrescentou: “O que raio foi aquilo? Já temos problemas comerciais suficientes com a Coreia do Sul, e ainda lhes dão o melhor filme do ano?”
A distribuidora americana do filme não deixou Trump sem resposta, “Compreensível, ele não sabe ler”, pode ler-se num tweet feito pela empresa. O filme passou com legendas no mercado americano.
Para lá das críticas ao filme, Trump ainda fez referência ao discurso de Brad Pitt durante a cerimónia, que fez uma piada sobre o processo de impeachment do presidente, “Disseram-me que só tenho 45 segundos aqui. São 45 segundos a mais do que o Senado deu a John Bolton [antigo conselheiro de segurança nacional] esta semana. Talvez o Quentin [Tarantino] faça um filme sobre isso”, disse Brad Pitt quando subiu ao palco para receber o Oscar de melhor ator secundário. “Nunca fui fã dele, fez um discurso de sabichão. Ele é um sabichão, um pequeno sabichão”, disse Trump no comício.
Ainda houve tempo para Trump revelar algum saudosismo no que toca a clássicos americanos do grande ecrã. “Podemos trazer de volta filmes como ‘E tudo o vento levou’, por favor? ‘ Crepúsculo dos Deuses’ tantos filmes bons”, disse Trump. O filme “E tudo o vento levou” é uma das mais conhecidas obras cinematográficas americanas e ganhou 8 Oscars em 1940. A obra – que tem como pano de fundo a Guerra Civil Americana e conta a história de amor da filha do dono de uma plantação de algodão no estado da Geórgia – foi muito criticada pela forma perversa com que retrata a relação entre os escravos afro-americanos e os seus donos.
O romance de Margaret Mitchel, em que o guião se baseia, descreve o Ku Klux Klan como uma “necessidade trágica”, e a produtora do filme acabou mesmo por apagar as cenas que continham discriminação racial.