O ex-Presidente da República Cavaco Silva já compôs a equipa que o vai apoiar no Convento do Sacramento, onde tem agora instalado o seu gabinete de trabalho. Um assessor e uma secretária, nomeados a seu pedido como manda a lei, e que transitam da sua antiga Casa Civil em Belém.
Para o renovado Convento do Sacramento, em Alcântara, Cavaco não leva nenhum dos assessores de imprensa que o acompanharam nos últimos dez anos na Presidência. Preferiu Ademar Vala Marques, conhecido militante do PSD de Peniche, que conta no currículo com uma passagem pelo gabiente do secretário de Estado adjunto de Miguel Relvas, Feliciano Barreiras Duarte. Em 2012, o seu nome constava na lista de adjuntos e especialistas com menos de 30 anos que o Governo de Passos Coelho tinha contratado para os seus gabinetes. É jurista e mestre em Direito Internacional Público e estava na Casa Civil de Cavaco desde 2013.
Para assegurar o secretariado do ex-Presidente da República vai Maria Filomena Veneno Santos, que já ocupava estas funções na Casa Civil, para onde foi requisitada da Universidade Católica Portuguesa.
“Um assessor e um secretário da sua confiança” são as duas pessoas a que Cavaco Silva tem direito no seu gabinete de trabalho, nomeados por Marcelo Rebelo de Sousa a seu pedido, em despachos hoje publicados em Diário da República. Carro e motorista são outras das regalias que fazem parte do estatuto que agora ganhou.
O Gabiente do Sacramento, alojado no antigo Convento do Sacramento em Alcântara, foi totalmente remodelado para receber Cavaco Silva, com obras que custaram 475 mil euros. Desde o início do mês, o ex-Presidente da REpública tem também página online na Internet, onde vai divulgar a sua atividade e manter uma ligação para o arquivo da Presidência relativo aos seus dois mandatos presidenciais. Em www.gabinetesacramento.pt podemos conhecer a biografia atualizada de Aníbal Cavaco Silva, ver imagens emblemáticas do seu percurso e aceder à futura agenda, intervenções e publicações.
Com o Gabinete do Sacramento, Cavaco junta-se aos três ex-Presidentes da República que usufruem das mesmas regalias e que, segundo contas avançadas no ano passado pelo Diário de Notícias, custam cerca de 300 mil euros por ano, cada um, aos cofres do Estado. Do Orçamento da Presidência da República saem as verbas para o pagamento de subvenções a que têm direito Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e agora Cavaco Silva. As ajudas de custo, despesas com manutenção dos gabinetes e pagamento dos recursos humanos são absorvidos pela secretaria-geral da Presidência da República, mas não constam de rubrica autónoma no seu Orçamento.