Com a invasão a correr muito pior do que esperava, Vladimir Putin tem tentado encontrar bodes expiatórios. As primeiras vítimas terão sido o diretor do Quinto Serviço do FSB (agência de segurança russa, sucessora do KGB), o coronel-general Sergei Beseda, e o seu adjunto, que foram alegadamente interrogados a 11 de março e depois postos em prisão domiciliária. O Quinto Serviço do FSB tem a pasta da espionagem da Ucrânia. Ter-se-á seguido o general Roman Gavrilov, subcomandante da Rosgvardia (guarda nacional), a 17 de março.
Mas as atenções têm-se voltado sobretudo para Sergei Shoigu, 66 anos, o todo-poderoso ministro da Defesa da Rússia, um dos amigos mais próximos de Putin e responsável máximo pela estratégia militar russa. A última vez que foi filmado ou fotografado em público foi já há 12 dias (no mesmo diado interrogatóro de Sergei Beseda), quando visitou o Hospital Mandryk Central, para entregar medalhas de coragem a soldados feridos na guerra da Ucrânia.
Depois disso, foi noticiada uma reunião no Conselho de Segurança, para discutir a invasão, e passou ainda uma reportagem televisiva no Canal 1, em que Shoigu terá entregado mais medalhas, mas não há imagens de nenhum desses momentos. A reportagem, aliás, usou uma fotografia retirada do vídeo da visita ao hospital, a 11 de março, conta o site de jornalismo de investigação russo Agentstvo. As notícias mais recentes sobre o ministro na página oficial do Ministério da Defesa também datam desse dia.

Uma fonte próxima de Sergei Shoigu, ouvida pelo Agentstvo, diz que o ministro se encontra doente, com problemas cardíacos. Shoigu foi fotografado pela última vez com Putin na famosa mesa comprida do Kremlin, a vários metros de distância do presidente, na reunião de 27 de fevereiro, três dias depois de iniciada a invasão da Ucrânia. Ao seu lado, encontrava-se também o Comandante das Forças Armadas, o general Valery Gerasimov.