1947 – Quem fica com a Caxemira?
Após a independência, o destino da Caxemira ficou incerto, embora tanto a Índia como o Paquistão reivindicassem o território. O marajá local ainda tentou obter a independência, mas acabou por aceitar que a região integrasse a Índia, em troca de ajuda militar para evitar a continuada invasão de milícias muçulmanas. Resultado: a Guerra Indo-Paquistanesa de 1947-48, que terminou com o Acordo de Karachi de 1949, que estabeleceu uma linha provisória de cessar-fogo, supervisionada pela ONU. Nos termos desse acordo, a Índia passava a ocupar dois terços daquele território, com o outro terço a pertencer ao Paquistão.
1965 – Guerra curta mas sangrenta
Após o Paquistão conduzir uma ofensiva secreta na linha de cessar-fogo, os combates entre as forças fronteiriças depressa descambaram numa guerra total – que durou três semanas, mas provocou milhares de baixas em ambos os lados, além das maiores batalhas de veículos blindados desde a II Guerra Mundial. Em janeiro de 1966, os dois países assinaram um novo acordo, para resolver futuras disputas por meios pacíficos.
1972 – Divisão oficial
Após uma breve guerra entre os dois, por causa do Paquistão Oriental, que resultou no atual Bangladesh, a Índia e o Paquistão inauguraram uma nova era de relações bilaterais com o Acordo de Simla, em 1972, que dividiu a Caxemira em duas regiões administrativas. A linha de cessar-fogo temporária de 1949 tornou-se, assim, uma “linha de controlo” oficial.
1974 – Nova era nuclear
A Índia realiza o seu primeiro ensaio de uma arma nuclear, desencadeando uma corrida armamentista no Paquistão – que atingiu o mesmo marco duas décadas depois.
1987 – Início da insurgência
Aproveitando um período de turbulência política, vários grupos de insurgentes, apoiados pelo Paquistão, iniciam diversos ataques, com bombas, tiroteios e sequestros, contra a administração indiana, que minam e agravam as relações entre os dois países.

1999 – Combates na montanha
Guerra de Kargil, numa zona de alta montanha, com centenas de vítimas dos dois lados. Inicia-se depois um novo período de cessar-fogo que é muitas vezes interrompido por trocas de tiros por militares dos dois países. Desde então, a Caxemira tornou-se uma das zonas mais militarizadas do mundo.
2008 – Atentado em Mumbai
O risco de novo confronto aumenta na sequência do ataque terrorista em Mumbai, em que morreram mais de 160 reféns, incluindo alguns estrangeiros. Tanto a Índia como os EUA culparam um grupo sediado no Paquistão, afirmando que era apoiado pelos serviços secretos do país.
2016 – Ataques constantes
Após um breve período de relações cordiais entre os dois países, iniciado com o convite do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao seu homólogo paquistanês, Nawaz Sharif, para a sua tomada de posse, a situação agravou-se, em 2014, quando um alto funcionário do Paquistão se reuniu com líderes separatistas da Caxemira. Depois, em 2016, uma base indiana foi atacada por milícias separatistas, com Nova Deli a ripostar com ataques a “acampamentos terroristas” dentro da Caxemira administrada pelo Paquistão. Nos anos seguintes, ocorreram milhares de confrontos.
2019 – Ocupação indiana
Após um bombardeamento ter provocado a morte de quatro dezenas de soldados indianos, o governo de Narendra Modi decidiu enviar dezenas de milhares de militares para o território e retirar à região o estatuto privilegiado de autonomia de que gozava desde a independência. Para abafar quaisquer protestos, foi instituído o estado de sítio, as conexões de internet foram cortadas durante mais de um ano e a Caxemira passou a ser administrada diretamente desde Nova Deli, registando-se a prisão de milhares de opositores.
2025 – À beira da guerra
A 22 de abril de 2025, as tensões aumentaram após um ataque terrorista contra turistas indianos na Caxemira – o pior, em território indiano, desde os ataques de Mumbai em 2008. Após o ataque, medidas de retaliação da Índia e do Paquistão levaram as relações bilaterais ao seu ponto mais baixo dos últimos anos.