A poucos dias das eleições presidenciais norte-americanas de 2016, numa conferência na qual participava em Kiev, recordo ter ouvido, de interlocutores ucranianos, uma grande preocupação perante a perspetiva de Donald Trump vir a ser eleito. Passaram semanas e Trump foi mesmo escolhido pelos americanos.Cheguei a Berlim no dia imediato à sua vitória e recordo o verdadeiro estado de choque de dois membros do governo conservador alemão ao comentarem, na minha presença, o sucedido. Eu estava apenas preocupado, eles pareciam quase em pânico.Os quatro anos de Trump mostraram que os ucranianos e os alemães com quem falara tinham razão. Eu fora ingénuo: mantinha fé nos checks and balances americanos e achava que os grandes republicanos acabariam por conter as derivas do Presidente que emergira fora do serralho partidário.Não há ainda a certeza de que Trump possa concorrer de novo. E, se isso acontecer, que ganhe. Mas se Trump voltar, o que pode suceder?
Pesadelo maior
