Os depoimentos sucedem-se, desconcertantes, uns atrás dos outros. “Aproveitava os momentos entre os bombardeamentos e o recolher obrigatório para procurar métodos de contraceção de emergência. A minha mãe tentava consolar-me: ‘Já não há guerras destas, já não existem; isto já só acontece nos filmes antigos.’ (…) Chorei em silêncio, sei que todas as guerras são assim.” Citada pelo diário britânico The Guardian, Antonina Medvedchuk, de 31 anos, confessou ser uma entre os milhares de vítimas do “conflito militar especial” iniciado pela Rússia, a 24 de fevereiro. A jovem sobreviveu aos invasores russos, mas ficará para sempre traumatizada devido a uma das mais antigas e hediondas táticas militares: a violação.
O seu testemunho é apenas um entre os muitos que estão a ser recolhidos nas localidades a norte de Kiev e que vem somar-se ao cortejo de horrores exibido em Bucha, a cidade-dormitório, a 37 quilómetros da capital, em que, pelo menos, 410 cadáveres de civis foram deixados em fossas comuns, nas ruas e nos escombros dos edifícios, de acordo com as autoridades ucranianas.
