O jornal espanhol El País descreveu a situação que Portugal vive neste momento em relação à pandemia de Covid-19, referindo que o País já esteve no “céu” e que agora se encontra “no inferno”.
O diário, que esteve num lar de Vila Nova de Cerveira onde todos os idosos e funcionários estão agora infetados, escreve que, depois de se ter falado, até, no “milagre português”, durante a primeira vaga da pandemia, Portugal está agora no topo dos países com mais mortes por cada 100 milhões de habitantes relacionadas com a Covid-19, tendo já recorrido a “ajuda internacional”.
“Os dados são pavorosos”, diz o jornal, referindo que “metade das mortes por Covid-19 em Portugal” foram registadas só em janeiro e que a incidência de novos casos “por 100 mil habitantes em 14 dias atinge números nunca antes vistos”.
O jornal diz ainda que as medidas mais flexíveis que o governo português aprovou durante o Natal – Espanha também diminuiu as restrições neste período de tempo – provocaram esta explosão de novos casos e, consequentemente, de mortes em Portugal. “Salvar o Natal foi um grande erro. Sabíamos isso, mas não esperávamos que fosse desta magnitude ”, confessou ao jornal espanhol Ricardo Mexia, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública.
O jornal espanhol fala também da falta de preparação dos hospitais portugueses para o “que se avizinhava”, das filas de ambulâncias que se formaram em vários hospitais da zona de Lisboa e da transferência de doentes para a Madeira.
A equipa médica militar alemã que veio ajudar Portugal no combate à covid-19, e que começa a tratar os primeiros doentes na segunda-feira, também foi um dos temas abordados pelo jornal. “Quando a pandemia estalou, Portugal tinha o menor número de camas para Unidades de Cuidados Intensivos por população da Europa, segundo o próprio governo. É precisamente a estas unidades que foi atribuído o primeiro reforço do estrangeiro”, diz, ainda, o jornal.
O El País explica, também, que o “ânimo” dos portugueses em relação ao primeiro grande confinamento da pandemia – que foi “respeitado com disciplina pela sua população e ajudou a conter os contágios, fazendo com que Portugal fosse visto como exemplo internacional” – é, neste momento, muito inferior. Agora, “o terror esfumou-se”, escreve o jornal.