A agência foi autorizada a utilizar esta técnica considerada como tortura quando, a 26 de Julho, o ministro da Justiça de então, John Ashcroft, concluiu que “a utilização da simulação de afogamento (era) legal”, segundo um relatório da comissão dos Serviços Secretos do Senado divulgado quarta-feira, que visa esclarecer as derivas que se seguiram aos atentados do 11 de Setembro de 2001.
Nove dias antes, segundo documentos da CIA citados pelo documento, Rice tinha-se encontrado com George Tenet, o director da central de espionagem norte-americana na época, e dado uma opinião positiva “para que a CIA pudesse proceder ao interrogatório previsto de Abu Zoubaydah”, detido pelos norte-americanos e suspeito de ser um alto responsável da Al-Qaida.
A luz verde de Rice terá sido a primeira aprovação dada por um alto responsável da administração Bush de uma técnica de interrogatório que o actual ministro da Justiça, Eric Holder, qualificou de “tortura”, segundo o relatório, que é hoje a cronologia mais completa de documentos desclassificados sobre o apoio da administração Bush a estes métodos de interrogatórios altamente controversos.
Segundo este relatório, Rice fazia parte do grupo de pelo menos cinco ou seis altos responsáveis da administração de George W. Bush entre os quais o vice-presidente Dick Cheney, que se reuniram em 2002 ou 2003 para debater práticas de interrogatório utilizadas em Abu Zoubaydah e outros suspeitos, que eles aprovaram e cuja legalidade defenderam.
Depois de uma reunião em Julho de 2003 durante a qual George Tenet informou nomeadamente Condoleezza Rice, Dick Cheney, John Ashcroft e Alberto Gonzales (então conselheiro na Casa Branca) sobre a utilização da simulação do afogamento entre outros, estes últimos “reafirmaram que o programa da CIA era legal e reflectia a política da administração”, indica o relatório.
Este documento ocorre em clima de polémica depois da divulgação pela administração Obama de memorandos da era Bush que fornecem um suporte jurídica ao emprego de tais métodos.
Obama proibiu o recurso a estes métodos dois dias depois de tomar posse.
Todavia, o presidente já considerou “inapropriado” encetar processos judiciais contra os agentes da CIA que terão conduzido os interrogatórios por estes terem agido na presunção da legalidade que lhes era transmitida por juristas da administração Bush.
O chefe da maioria democrata do Senado, Harry Reid, opôs-se hoje, por ora, à criação de uma comissão de inquérito independente à imagem da sobre o 11 de Setembro, para investigar os métodos de interrogatório da era Bush.
A CIA submeteu 183 vezes aquele que é considerado como o cérebro dos atentados do 11 de Setembro, Khaled Cheikh Mohammed ao método da simulação de afogamento e pelo menos 83 vezes Abu Zoubaydah, segundo o New York Times de segunda-feira, citando um memorando do departamento da Justiça com data de 2005.