Cristiano Ronaldo acusa o Manchester United de o ter traído e diz não respeitar o treinador Erik Ten Hag, justificando a ausência na pré-época com a morte à nascença de um dos filhos gémeos e os problemas de saúde da filha com poucos meses de idade. Numa entrevista sempre ao ataque, concedida ao jornalista britânico Piers Morgan e que irá para o ar quarta e quinta-feira, o português critica ainda o ex-treinador, Ralf Rangnick, o antigo companheiro de equipa Wayne Rooney e a falta de ambição do clube, que segundo ele parou no tempo desde a saída de Alex Ferguson.
“Sim, o Manchester United tentou forçar a minha saída, e não foi apenas o treinador. Não deveria dizer isto, mas não quero saber. As pessoas devem saber a verdade. Senti-me traído por dois ou três dirigentes não me querem aqui. Não só neste ano, já era assim no anterior”, declarou, justificando, pela primeira vez, a ausência dos trabalhos de pré-época com os graves problemas de saúde dos seus filhos mais novos, gémeos. O filho não sobreviveu ao parto e a filha esteve hospitalizada nos primeiros meses de vida. «Foi a fase mais difícil da minha carreira, pessoal e profissionalmente”, admite, acusando o clube que querer fazer dele “a ovelha negra” no balneário do United. “Não respeito o treinador porque ele também não me respeita. E se não me respeitas, nunca vou ter respeito por ti.”
Acerca do regresso ao Manchester United, no verão de 2021, diz ter seguido “o coração”, depois de ouvir Alex Ferguson dizer-lhe que era “impossível” ele assinar contrato com o rival Manchester City.
“Desde que o Sir Alex saiu, o clube não evoluiu nada. Os adeptos têm de saber a verdade, eu quero o melhor para o clube e por isso regressei. Amo o Manchester United e os adeptos, mas se querem resultados diferentes terão de mudar muita coisa. Toda a gente o sabe, quem não vê isto é cego”, dispara, acusando o clube de ter parado no tempo a nível tecnológico e de infraestruturas e de ter perdido a ambição para lutar com os grandes rivais Liverpool, Manchester City e Chelsea.
Sobre o ex-companheiro de equipa Wayne Rooney, que na semana passada defendeu que estava na hora de Ronaldo deixar o clube, afirma: “Não entendo por que razão me critica tanto. Talvez porque ele já acabou a carreira e eu ainda jogo ao mais alto nível. Nem vou dizer que tenho melhor aspeto do que ele, mas é verdade.”
E para o técnico que orientou a equipa na segunda metade da época passada, o alemão Ralf Rangnick, que também já o criticou, é ainda mais cáustico, arrasando a decisão de o contratar: “Como é que um clube como o Manchester United demite o Ole [Solskjaer] e depois traz um diretor desportivo, o Ralf Rangnick? Ninguém consegue compreender. Este senhor nem sequer é treinador. Surpreendeu-me a mim e a toda a gente. Se nem és treinador, como é que vais treinar o Manchester United? Eu nunca tinha ouvido falar dele.”
Cristiano Ronaldo junta-se esta segunda-feira aos trabalhos da Seleção Nacional, tendo em vista a preparação para o Mundial do Qatar. No final, quando for hora de voltar ao clube, parece impossível a sua continuidade no Manchester United.