O peso das palavras molda, desde a primeira cena, o texto, os movimentos e a narrativa de C., Celeste e a Primeira Virtude, o espetáculo de autoria e encenação de Beatriz Batarda.
“Celestes são os corpos dos artistas”, explica Beatriz Batarda. Por encarnarem almas que não lhes pertencem, os corpos representam o mundo inteiro, visitando “o firmamento através da imaginação, que é mais importante do que o conhecimento que aprendemos aqui na Terra”, conclui a autora do espetáculo.
Há 17 anos professora de Teatro, em 2019, a atriz e encenadora escreveu um monólogo sobre uma professora que sofria uma crise existencial na relação com os alunos. Quatro anos mais tarde, e após vários laboratórios em que pediu aos alunos que debatessem qual o lugar “da liberdade na arte e da arte na liberdade”, nasce a peça que se estreia nesta terça, 11, no Teatro São Luiz, em Lisboa.
Ao longo de duas horas, conhecemos uma turma de sete alunos de Teatro e a sua mestra, que se encontram a ensaiar o espetáculo de fim de ano, no qual cada um representará uma virtude. Justiça, Honestidade, Respeito, Excelência, Fé, Sensibilidade e Verdade interagem em palco, trazendo ao de cima algumas das tensões, preocupações, medos e debates que assolam muitas das salas de aula de Teatro em todo o País.

A história poderia ser de todos os alunos e de todos os professores que se debatem por encontrar, mais do que respostas, uma saída, num País onde quem dita as regras os anula. “A peça abre uma mancha de perguntas sobre como é que conseguimos chegar a uma nova verdade, sem matar a democracia, representada pela Justiça, nem o conhecimento, representado pela Mestra”, diz à VISÃO Batarda.
E, no fim, sempre o amor. Às artes, à família, aos outros. Nesta terra de humanos, entre o firmamento e o abismo, o amor, capaz de criar tensões, apontar caminhos e fazer implodir ou elevar as almas, é a força inexplicável que conduz à liberdade. Faz-nos acreditar que a vida não é apenas retórica, mas substância puríssima que nos alimenta o corpo e a alma e mantém acesa a vontade de viver, inteiramente, até ao último momento.
C., Celeste e a Primeira Virtude > Teatro São Luiz > R. António Maria Cardoso, 38, Lisboa > T. 21 325 7651 > 11-22 abr, ter-sáb 19h30 > €12