
Na Ribeira, o Pap’Açorda acompanha o horário de funcionamento do mercado e tem a cozinha sempre aberta. Com exceção da segunda-feira, dia em que está fechado
Luís Coelho
Chega-se pela porta principal do Mercado da Ribeira e logo ali, na entrada, vira-se à direita, escada acima. A grande vidraça é afinal uma porta que se empurra, não se deixe enganar. Lá dentro, há música ambiente, escolhida por Fernando Fernandes, “eclética e abrangente”, diz o sócio-fundador do Pap’Açorda, um dos mais emblemáticos restaurantes de Lisboa que, ao fim de 35 anos na Rua da Atalaia, deixou a sua morada de sempre. “Já não nos identificávamos com o Bairro Alto e quando surgiu o convite da Time Out para vir para o Mercado da Ribeira, aceitámos”, justifica a mudança há muito anunciada.

“É um desafio, um novo respirar. Estes primeiros tempos vão servir para nos habituarmos a este sítio, conhecer bem o local e as pessoas. Depois havemos de fazer a inauguração oficial”, diz Fernando Fernandes, um dos sócios-proprietários
Luis Coelho
Com vista para o Jardim Dom Luís e para o interior do mercado, há agora 800 metros quadrados para gerir, onde se sentam 120 pessoas, divididas entre duas salas (uma para não fumadores, outra para fumadores) com balcão-bar. Ao meio, no grande bloco retangular, funciona a cozinha. “O desenho é dos arquitetos Aires Mateus e os pormenores do Manuel Reis”, revela Fernando Fernandes. Fala da escolha das mesas e cadeiras, do chão feito de hexágonos em tons cinza e branco, e da iluminação. Tudo novo, à exceção do grande lustre, pendurado à entrada, que quem frequentava o “antigo” Pap’Açorda reconhece de imediato.

Manuela Brandão é a “mão de fada” da cozinha do Pap’Açorda
Luísa Ferreira
O que se mantém é a comida, portuguesa, de sabores tradicionais e bem feita sob as ordens de Manuela Brandão, a “mão de fada” na cozinha. E que, para Fernando Fernandes, é afinal o essencial e “aquilo que marcou o Pap’Açorda”. Das costeletinhas de borrego panadas com esparregado aos filetes de peixe-galo; do linguadinho frito com açorda de tomate aos peixinhos da horta que se podem acompanhar com arroz de coentros feito ao momento, está tudo na ementa. Um pouco maior e com alguns pratos novos, que vão mudando tempos a tempos. E uma folha cheia de “entradas” – como os célebres pastéis de massa tenra, os croquetes de vitela, o patê de santola com tostas ou a tábua de bom presunto – que servem também de “petiscos” entre refeições ou a horas mais tardias, que se remata (como resistir?) com uma mousse de chocolate.
Sem lugar a tristezas, ou a saudosismos, Fernando Fernandes olha para o futuro. “É um desafio, um novo respirar. Estes primeiros tempos vão servir para nos habituarmos a este sítio, conhecer bem o local e as pessoas. Depois havemos de fazer a inauguração oficial.” Com festa, tão memorável quanto a primeira, espera-se.
Pap’Açorda > Mercado da Ribeira > Av. 24 de Julho, 49 – 1º andar, Lisboa > T. 21 346 4811 > ter-qua, dom 12h-24h, qui-sáb 12h-2h