O que é a variante Ómicron?
Foi identificada na África do Sul, em novembro, e, no dia 26, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou-a uma “variante de preocupação”. Das 50 mutações genéticas, a Ómicron tem 32 na proteína spike (a responsável pela entrada do vírus nas células humanas). Antes mesmo de haver dados concretos, a OMS alertou para o risco global da variante se espalhar.
Está já presente em mais de 60 países, incluindo Portugal.
O que se sabe sobre a presença da Ómicron em Portugal?
Os primeiros casos da variante Ómicron foram confirmados a 29 de novembro quando 13 jogadores da equipa de futebol B-SAD testaram positivo. Depois disso foram confirmados outros infetados com esta variante entre os dirigentes e equipa técnica do clube.
O último relatório da Direção-Geral da Saúde e do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge sobre a diversidade genética do SARS-CoV-2, revelado no dia 10 de dezembro, indica que foram identificados “um total de 49 casos associados à variante Ómicron”. “De momento, estes casos foram assintomáticos ou apresentaram sintomas ligeiros, não tendo ocorrido internamentos ou óbitos”, pode ler-se no mesmo documento.
A Ómicron é mais perigosa do que a variante Delta?
O facto de terem sido detetadas 32 mutações na proteína spike, a chave para entrada no organismo humano, enquanto na Delta foram menos de metade, não demonstra, por si só, que a Ómicron seja mais perigosa do que a anterior. No entanto, este facto sugere que o sistema imunitário possa ter mais dificuldade em lutar contra a Ómicron.
É mais transmissível?
Ainda serão precisos mais uns dias ou semanas para que os cientistas consigam descortinar a rapidez com que a Ómicron se transmite. Os dados preliminares revelados ontem pela OMS indicam que parece ser mais transmissível do que a variante Delta. No entanto, estas conclusões são ainda de dados muito parciais, alertou a OMS.
A rapidez de transmissão, adiantou a agência, foi verificada não só na África do Sul, onde a variante Delta não é tão prevalente, mas também no Reino Unido, onde essa é a variante dominante. A OMS ainda não sabe, por falta de dados, se a taxa de transmissibilidade elevada em populações fortemente imunizadas advém do facto de a Ómicron “escapar à imunidade, beneficiar de uma transmissibilidade mais elevada inerente ou se decorre de uma combinação dos dois fatores”.
Se os países esperarem até os seus hospitais começarem a encher será demasiado tarde, temos de agir já.
A Ómicron provoca sintomas mais severos?
Embora os dados ainda sejam insuficientes, a OMS diz que “até agora” os sintomas parecem ser “ligeiros a moderados”.
A eficácia das vacinas está comprometida?
Mais uma vez, os dados ainda são preliminares, mas a OMS admite possa haver “uma baixa de eficácia” em relação e à transmissão. Como a Ómicron surgiu na África do Sul, país em que apenas 30% da população está vacinada, é difícil prever como se comporta em sociedades mais imunizadas. Os cientistas e os laboratórios que produzem as vacinas já avançaram que estão a investigar uma alteração nos imunizantes para os tornar mais eficazes contra a Ómicron.
O que revelam as investigações já realizadas às vacinas?

As experiências já feitas sugerem que os anticorpos da vacina Pfizer-BioNTech tiveram menos sucesso em travar a Ómicron do que nas variantes anteriores. No entanto, as pessoas que já receberam a dose de reforço produziram muito mais anticorpos, combatendo, desta forma, melhor a infeção. No Reino Unido, os cientistas descobriram que, após seis meses, as duas doses da vacina AstraZeneca não forneceram qualquer proteção contra a infeção pela Ómicron; duas doses da Pfizer-BioNTech tiveram uma eficácia de apenas 34%; mas uma terceira dose da Pfizer mostrou uma eficácia de 75% contra a infeção.
Qual o nível de alerta da OMS?
Com todas as precauções e falando sempre em dados ainda insuficientes, a OMS diz que não se deve esperar que o céu nos caia em cima. Por isso, “cada Governo, cada indivíduo, deve usar todos os instrumentos de que dispomos e os Estados devem rever os seus planos nacionais à luz da situação atual”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, secretário-geral da OMS. “Se os países esperarem até os seus hospitais começarem a encher será demasiado tarde, temos de agir já.”