Desde que se iniciaram as campanhas de vacinação em massa contra a Covid-19, milhares foram as pessoas que já receberam duas das três vacinas autorizadas na União Europeia: Pfizer-BioNTech e Moderna – a vacina da Astrazeneca/Universidade de Oxford foi aprovada apenas esta sexta-feira para Agência Europeia do Medicamento. Alguns vacinados, no entanto, experienciaram sintomas como febre, dor de cabeça e dor no local da injeção.
Os efeitos secundários provocados por vacinas geralmente desaparecem rapidamente, sendo que apenas um pequeno número de vacinados teve uma reação alérgica grave, designada por anafilaxia.
Segundo a Bloomberg, na Noruega, e até meados de janeiro, 33 pessoas faleceram depois de tomarem a vacina da Pfizer-BioNTech, num universo de 42 mil vacinados. As vítimas mortais tinham todas mais de 75 anos e algumas eram doentes terminais com previsão de apenas algumas semanas ou meses de vida. Em comunicado, o Comité Consultivo Mundial de Segurança das Vacinas da Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que estas mortes “estão em linha com as taxas de mortalidade por todas as causas esperadas na população mais idosa” e que o sucesso da vacina continua a ser “favorável”, mesmo em faixas etárias mais avançadas.
Na Alemanha, por exemplo, onde mais de 800 mil pessoas já receberam a primeira das duas doses da vacina da Pfizer-BioNTech, o Instituto Paul Ehrlich investigou pelo menos sete casos de idosos que morreram logo após a vacinação. No relatório do instituto é referido que as mortes ocorreram provavelmente devido a condições prévias dos doentes, incluindo carcinomas, deficiências renais e doença de Alzheimer, e não pela inoculação da vacina.
Em Portugal, ainda não se registou nenhuma morte ptovocada diretamente pela vacina nem efeitos secundários que conduzam à morte, sendo que o entendimento geral, até à data, é de que a vacina é segura. Isto inclui também o caso das pessoas mais velhas e frágeis, em relação às quais ainda não existe muita informação científica sobre o risco da vacina.
Segundo a Bloomberg, é possível que as reações adversas que possam acontecer não provoquem os mesmos efeitos em idosos e jovens, sendo que apenas um número limitado de pessoas com mais de 85 anos participou nos grandes ensaios clínicos da vacina Pfizer-BioNTech. Em média, quem testou a vacina tinha 50 anos, portanto os dados e estudos feitos sobre possíveis efeitos numa população mais idosa são pouco conclusivos.
E em relação às alergias?
Nos EUA, de acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), desde 19 de janeiro ocorreram 15 casos de anafilaxia com a injeção da Moderna e 45 com a injeção da Pfizer-BioNTech, o que se traduz em 2,1 e em 6,2 casos por milhão de doses, respetivamente, representando em ambos os casos taxas muito reduzidas.
A anafilaxia é um risco conhecido e possível em qualquer caso de vacinação reações, ocorrendo 1,3 vezes por milhão de doses da vacina contra a gripe, por exemplo.
Em quase todos os países, incluindo em Portugal, a pessoa que acaba de ser vacinada tem de esperar no local 15 minutos, precisamente para prevenir e tratar qualquer tipo de reação alérgica que possa aparecer. Caso alguém manifeste sintomas na primeira dose, já não toma a segunda.
Quanto ao que pode causar este tipo de reação, os especialistas dividem-se, sendo que alguns afirmam que pode ter a ver com químicos como o polietilenoglicol, por exemplo, encontrado em muitos alimentos, cosméticos e medicamentos, e também nas vacinas.