Em Maio de 1965, Paul Mc-Cartney tinha 22 anos e, no Algarve, dava a primeira entrevista a um jornalista português. A beatlemania estava no auge – em 1964 as férias dos Beatles nas Bahamas tinham-se transformado num pesadelo, com verdadeiras lutas de fãs e jornalistas de todo o mundo à procura da melhor foto, da entrevista exclusiva. Agora, numa vivenda perto de Albufeira, o jovem Paul tentava, desesperadamente, passar despercebido.
Mas Joaquim Letria, também com 22 anos, estava decidido a conseguir a sua entrevista para o Diário de Lisboa. Depois de muita insistência e de dormir no jardim à porta da vivenda, conseguiu mesmo cumprir o objectivo, com o compromisso de não fazer fotografias. Aparentemente, Letria desconfiava do êxito sem precedentes da banda de Liverpool. «Os Beatles existiriam se não fossem os jornais, a rádio e a televisão?», «Sois, na realidade, um grupo de cabotinos?», «Se cortassem o cabelo, o que sucederia ao vosso êxito?» foram algumas das perguntas dessa primeira entrevista portuguesa a um Beatle. A história da música popular não veio dar razão ao cepticismo de Joaquim Letria. Os Beatles são, certamente, a banda que mais músicos influenciou nas últimas décadas e os seus discos operaram uma verdadeira revolução, com «erre» maiúsculo.
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