01 – Saint-Jean-Pied-de-Port – Vista do centro histórico de Saint-Jean-Pied-de-Port. É aqui que muitos peregrinos iniciam o seu percurso, do caminho francês até Santiago de Compostela. Para nós, foi a última etapa. Deixámos para trás os Pirenéus, que tanto temíamos mas que demonstraram ser uma etapa fácil! A descida que tanto esperávamos, tornou-se um inferno pelo facto de estarem 3 graus negativos, mas conseguimos sobreviver para apreciar a paisagem!
02 – Pirenéus – A fotografia não precisa de muitas palavras! São estes momentos que valem todo o esforço que temos durante esta viagem. Não há chuva, vento ou frio que nos faça arrepender de ter começado, quando nos deparamos com a natureza neste estado!
03 – L’Hôpital-de-Saint-Blaise – Devido ao grande número de comerciantes, emigrantes e peregrinos que todos os anos traçavam os caminhos franceses em direcção a Espanha, os reis e grandes senhores viram-se na obrigação de construir albergues e hospitais de etapa que forneciam todo o apoio necessário a quem se deslocava. Assim nasceu o Hôpital-de-Saint-Blaise e, a seu lado, uma pequena capela (o único edifício existente neste momento). À volta dos mesmos, uma pequena aldeia que em tempos teve 200 habitantes, na actualidade com 80. Como se encontra num dos trajectos de peregrinação, é património mundial e a simplicidade distingue-a em relação a todas as outras igrejas católicas.
04 – Castelo de Pau – Pau intitula-se a Porta dos Pirenéus e realmente quem visita a cidade percebe rapidamente porque assim o é! No entanto, não é só por essa razão que a cidade é conhecida, mas também por ter sido nesta que nasceu um dos mais importantes reis franceses, o primeiro da dinastia Bourbon, Henrique IV – o Grande! A visita guiada ao castelo é obrigatória para se perceber todo o desenvolvimento de uma cidade e de um reino!
05 – Basílica St. Sermin – A Basílica de St. Sermin em Toulouse, construída sobre uma antiga basílica do século IV e que contém os restos mortais de Saint Saturnin, o primeiro bispo da cidade, é de visita obrigatória porque, além de ser uma das mais importantes, faz parte também da rota de um dos caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela em França e que, por essa mesma razão, a UNESCO achou importante juntar à vasta lista de sítios de demasiado interesse cultural. É a maior igreja românica, conservada, da Europa.
06 – Château d’Eau – O Château d’Eau (Castelo de Água, traduzido à letra) não é mais do que um normal depósito de água, transformado em espaço de exposições. O que existe logo depois de se ter atravessado a Pont Neuf, em Toulouse, é todo construído em tijolo e é, desde 1974, o primeiro espaço em França dedicado à fotografia! Fundado pelo fotógrafo Jean Dieuzaide, recebe mais de 100.000 visitantes por ano. Curiosamente, o fotógrafo francês falecido em 2003, era um apaixonado por Portugal, com um livro editado sobre o país em 1956, com textos de Yves Bottineau. O espaço, além de receber artistas contemporâneos, tem um arquivo com mais de 9000 obras!
07 – Sans Paradis Fixe – esta livraria tem um horário muito próprio. Chega a Novembro e abre a porta somente às terças-feiras mas, à medida que se aproxima o natal, estas passam a ser abertas num horário normal! Amigos (músicos, fotógrafos, pintores, só amigos sem artes) juntaram-se e abriram uma pequena livraria, onde cabem menos de vinte pessoas bem apertadinhas e assim, juntam algum dinheiro para poderem ir mais longe nos seus sonhos. As paredes estão cobertas de fotografias, emolduradas à maneira antiga, os livros estão espalhados em várias mesas, há bonecas em pano e muitos postais. É o sítio perfeito para se comprar uma prenda original ajudando assim a arte dos outros!
08 – Algum Luxo – Depois de nos terem feito parar à saída de Toulouse e de nos terem convidado a almoçar, acabámos por ficar para dormir! Antes do jantar, porém, e depois de uma partida de golf, cada um com o seu copo – um com vinho, outro com sumo de laranja – encaminhamo-nos para o exterior da casa, de roupão, para entrarmos num fabuloso jacuzzi! Não estamos habituados a esses luxos mas que soube bem, soube! Não sabemos se teremos este mimo uma vez mais, ao longo desta viagem, por isso, aproveitámos cada minuto no seu interior!
09 – Albi – Em Agosto de 2010, Albi foi acrescentada à lista da UNESCO. Rivalizando com Toulouse a cor pela qual é conhecida, esta cidade diz-se a original! Conhecida como a cidade vermelha, mantem-se fiel à sua arquitectura, mantendo as casas em bom estado com um tipo de tijolo específico da região. É no centro de Albi que se encontra a maior catedral do mundo em tijolo e o seu interior é de um trabalho inexplicável. À noite, quando o sol se põe e as luzes da cidade acendem, ganha toda a sua magia! Chegámos sem saber o que nos esperava e ficámos rendidos!
10 – Escola em Rodez – Em Rodez, uma cidade de pequenas dimensões por onde passámos, fomos convidados por uma escola a fazer uma apresentação da nossa viagem às crianças. O curioso é que todas elas tinham entre 4 e 8 anos e o nosso francês seria posto à prova! O vídeo foi apresentado, as questões foram levantadas e a ideia que tivemos é que a consciência daquelas crianças sobre o mundo e sobre as outras culturas, é muito maior do que aquilo que conhecemos de qualquer criança destas idades em Portugal, não deixando por essa mesma razão de terem sonhos como o de andar sobre o dorso dum golfinho ou de uma girafa! Um projecto que gostaríamos de desenvolver em Portugal, um dia, quando voltarmos!
11 – Na estrada – A chegada do Outono traz também os tons vermelhos, castanhos, amarelados e laranjas que dão um colorido especial à paisagem! À medida que vamos subindo França acima, pelas pequenas ruas onde,a maior parte das vezes, pedalamos sozinhos por quilómetros, vamos encontrando paisagens que, de cinzentas, só o alcatrão das estradas que as atravessam!
12 – Sinais Motivadores – Quando sabemos que os dias começam a esfriar, que o Maciço Central se começa a aproximar, que a neve será, a partir de agora, uma companheira de viagem, sabe sempre bem encontrar sinais que, sem eles próprios saberem, nos fazem delirar! 6 quilómetros sempre a descer? Aqui vamos nós!!!
13 – Buraco de Bozoul – Esta garganta criada pelo rio Dourdou em forma de ferradura, na pequena povoação de Bozoul, é uma das visões mais incríveis que tivemos o prazer de presenciar nesta viagem. Num abismo que chega aos 200 metros de altura, o rio serpenteia a paisagem, formando uma série de rápidos e cascatas que se podem ver do cimo, no centro da vila. Algumas casas e uma igreja foram costruídas na continuação das paredes escarpadas, desafiando a natureza e a força da gravidade!
14 – Espalion – Apenas mais uma etapa do caminho antes de começar a subir o maciço montanhoso de Aubrac. Chegámos cedo, estacionámos as bicicletas numa garagem emprestada e apesar do tempo escuro e chuvoso não convidar ninguém a sair para uma visita, nós fizemo-lo durante umas horas pela vila que é conhecida pela ponte velha que a atravessa e que pertence à longa lista de sítios de interesse cultural da UNESCO.
15 – 2 no frio – Frio, muito frio! Quando tirámos a fotografia, ainda não tínhamos feito toda a montanha até ao seu topo e nem imaginaríamos o que estava para vir. Saltámos, riamo-nos e até tirámos fotografias deitados na neve! A chuva havía-nos encharcado durante horas, o vento era gelado, a temperatura descia e a neve aumentava à medida que pedalávamos mais para cima e ao chegar a Nasbinals, entrámos num café a correr e por longos momentos tivemos a sensação de estar a entrar em hipotermia, quase desmaiando. Foi horrível e gostaríamos de nunca mais sentir o mesmo. Apaisagem, essa, era de um branco infinito!